DIA 30 – SEXTA-FEIRA
3ª SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde – ofício do dia)
Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, terra inteira. Glória e esplendor, em sua presença, santidade e beleza no seu santuário (Sl 95,1.6).
Ao contrário da natureza vegetal, que sempre cumpre seu propósito e, por isso, é usada por Jesus como imagem do Reino de Deus, as pessoas estão sujeitas a não cumprir sua vocação. Reconheçamos nossas fragilidades e acolhamos com fé a misericórdia divina.
Primeira Leitura: 2 Samuel 11,1-10.13-17
Leitura do segundo livro de Samuel – 1No ano seguinte, na época em que os reis costumavam partir para a guerra, Davi enviou Joab com os seus oficiais e todo o Israel, e eles devastaram o país dos amonitas e sitiaram Rabá. Mas Davi ficou em Jerusalém. 2Ora, um dia, ao entardecer, levantando-se Davi de sua cama, pôs-se a passear pelo terraço de sua casa e avistou dali uma mulher que se banhava. Era uma mulher muito bonita. 3Davi procurou saber quem era essa mulher e disseram-lhe que era Betsabeia, filha de Eliam, mulher do hitita Urias. 4Então Davi enviou mensageiros para que a trouxessem. Ela veio e ele deitou-se com ela. 5Em seguida, Betsabeia voltou para casa. Como ela concebesse, mandou dizer a Davi: “Estou grávida”. 6Davi mandou esta ordem a Joab: “Manda-me Urias, o hitita”. E ele mandou Urias a Davi. 7Quando Urias chegou, Davi pediu-lhe notícias de Joab, do exército e da guerra. 8E, depois, disse-lhe: “Desce à tua casa e lava os pés”. Urias saiu do palácio do rei e, em seguida, este enviou-lhe um presente real. 9Mas Urias dormiu à porta do palácio, com os outros servos do seu amo, e não foi para casa. 10E contaram a Davi, dizendo-lhe: “Urias não foi para sua casa”. 13Davi convidou-o para comer e beber à sua mesa e o embriagou. Mas, ao entardecer, ele retirou-se e foi-se deitar no seu leito, em companhia dos servos do seu senhor, e não desceu para a sua casa. 14Na manhã seguinte, Davi escreveu uma carta a Joab e mandou-a pelas mãos de Urias. 15Dizia nela: “Colocai Urias na frente, onde o combate for mais violento, e abandonai-o para que seja ferido e morra”. 16Joab, que sitiava a cidade, colocou Urias no lugar onde ele sabia estarem os guerreiros mais valentes. 17Os que defendiam a cidade saíram para atacar Joab, e morreram alguns do exército, da guarda de Davi. E morreu também Urias, o hitita. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 50(51)
Misericórdia, ó Senhor, porque pecamos!
1. Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! / Na imensidão de vosso amor, purificai-me! / Lavai-me todo inteiro do pecado / e apagai completamente a minha culpa! – R.
2. Eu reconheço toda a minha iniquidade, / o meu pecado está sempre à minha frente. / Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei, / e pratiquei o que é mau aos vossos olhos! – R.
3. Mostrais assim quanto sois justo na sentença / e quanto é reto o julgamento que fazeis. / Vede, Senhor, que eu nasci na iniquidade / e pecador já minha mãe me concebeu. – R.
4. Fazei-me ouvir cantos de festa e de alegria, / e exultarão estes meus ossos que esmagastes. / Desviai o vosso olhar dos meus pecados / e apagai todas as minhas transgressões! – R.
Evangelho: Marcos 4,26-34
Aleluia, aleluia, aleluia.
Graças te dou, ó Pai, / Senhor do céu e da terra, / pois revelaste os mistérios do teu Reino aos pequeninos, / escondendo-os aos doutores! (Mt 11,25) – R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 26Jesus disse à multidão: “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. 27Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. 28A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. 29Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou”. 30E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? 31O Reino de Deus é como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. 32Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”. 33Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. 34E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo. – Palavra da salvação.
As palavras dos Papas
Através de imagens tiradas do mundo da agricultura, o Senhor apresenta o mistério da Palavra e do Reino de Deus, indicando as razões da nossa esperança e do nosso compromisso. (…)
A imagem da semente é particularmente querida a Jesus, porque expressa bem o mistério do Reino de Deus. Nas duas parábolas de hoje, ele representa um «crescimento» e um «contraste»: o crescimento que se verifica graças a um dinamismo ínsito na própria semente e o contraste que existe entre a pequenez da semente e a grandeza daquilo que ela produz. A mensagem é clara: não obstante exija a nossa colaboração, o Reino de Deus é antes de tudo dom do Senhor, graça que precede o homem e as suas obras. A nossa pequena força, aparentemente impotente diante dos problemas do mundo, se for introduzida na força de Deus, não teme obstáculos porque a vitória do Senhor é certa. É o milagre do amor de Deus que faz germinar e crescer cada semente de bem espalhada na terra. E a experiência deste milagre de amor leva-nos a ser optimistas, apesar das dificuldades, dos sofrimentos e do mal que nós encontramos. A semente germina e cresce, porque é o amor de Deus que a faz crescer.
(Papa Bento XVI, Angelus de 17 de junho de 2012)
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Meditação
Onde há intimidade, há revelação interior
No Evangelho de hoje, vemos Jesus explicando ao povo, por meio de parábolas, sobre como é o Reino dos Céus. No versículo final, porém, percebemos que, aos discípulos, Ele não falava apenas em parábolas, mas explicava-lhes tudo em detalhes privadamente.
Isso também acontece conosco. Precisamos entender que, se não tivermos uma vida íntima com Cristo, nunca compreenderemos profundamente a revelação divina. Santo Tomás de Aquino nos recorda que existem duas revelações nas quais Deus se manifesta: na revelação externa, através da história; e na interna, através da luz sobrenatural da graça.
Deus, externamente, fala a nós por meio dos ensinamentos de Cristo e, no Evangelho de hoje, por meio das parábolas. Contudo, para que enxerguemos essa Verdade em um ato de fé, é necessário que Ele nos fale desde dentro. Desse modo, a voz de Jesus nos fala tanto na revelação externa quanto na revelação interna.
Sabendo disso, fica clara a importância de termos uma vida espiritual ativa, não somente ouvindo Nosso Senhor contando parábolas ou conhecendo acontecimentos históricos em que Ele se revela a nós, mas também nos encontrando privadamente com Cristo, para que Ele nos ilumine interiormente, com a luz sobrenatural da fé.
Então, na prática, podemos começar meditando sobre uma Verdade de fé que aprendemos no Catecismo, num texto da Sagrada Escritura ou num livro espiritual, e recolher-nos em oração, pedindo a Jesus que nos mostre aquela Verdade desde dentro.
Essa é uma experiência necessária para todos os cristãos, pois o conhecimento de Deus através da fé é experimental, ou seja, uma realidade que acontece em nossas almas — mas não necessariamente provoca consolações e sentimentos. Assim, enquanto rezamos e meditamos sobre uma Verdade que já conhecíamos, de imediato há uma espécie de iluminação interior: “Eu entendi! Finalmente, uma luz se acendeu dentro de mim”. Sim, porque antes o que sabíamos apenas conceptualmente, torna-se agora uma experiência de fé.
Portanto, peçamos a Cristo que nos fale ao fundo de nossas almas, a fim de que, na intimidade da oração, a sua Palavra seja compreendida, acolhida e frutifique em nossa vida cotidiana.
Padre Paulo Ricardo
