29 – SEXTA-FEIRA
MARTÍRIO DE SÃO JOÃO BATISTA
(vermelho, pref. próprio – ofício da memória)
Quero falar de vossa lei perante os reis e darei meu testemunho sem temor. Muito me alegro com os vossos mandamentos que eu amo, amo tanto, mais que tudo (Sl 118,46s).
Na fortaleza de Maqueronte, ao leste do mar Morto, por ordem de Herodes Antipas, João Batista foi degolado. “Tombou mártir da justiça e da verdade.” A celebração desta memória tem origens antigas: século 5º, na França; século 6º, em Roma. A coragem e a fortaleza do Precursor de Jesus nos animem a perseverar na prática da justiça.
Primeira Leitura: Jeremias 1,17-19
Leitura do livro do profeta Jeremias – Naqueles dias, a palavra do Senhor foi-me dirigida: 17“Vamos, põe a roupa e o cinto, levanta-te e comunica-lhes tudo que eu te mandar dizer: não tenhas medo, senão eu te farei tremer na presença deles. 18Com efeito, eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze, contra todo o mundo, frente aos reis de Judá e seus príncipes, aos sacerdotes e ao povo da terra; 19eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te”, diz o Senhor. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 70(71)
Minha boca anunciará vossa justiça.
1. Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor: / que eu não seja envergonhado para sempre! / Porque sois justo, defendei-me e libertai-me! / Escutai a minha voz, vinde salvar-me! – R.
2. Sede uma rocha protetora para mim, / um abrigo bem seguro que me salve! / Porque sois a minha força e meu amparo, † o meu refúgio, proteção e segurança! / Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio. – R.
3. Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, / em vós confio desde a minha juventude! / Sois meu apoio desde antes que eu nascesse, / desde o seio maternal, o meu amparo. – R.
4. Minha boca anunciará todos os dias / vossa justiça e vossas graças incontáveis. / Vós me ensinastes desde a minha juventude, / e até hoje canto as vossas maravilhas. – R.
Evangelho: Marcos 6,17-29
Aleluia, aleluia, aleluia.
Felizes os que são perseguidos por causa da justiça do Senhor, / porque o Reino dos Céus há de ser deles! (Mt 5,10) – R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 17Herodes tinha mandado prender João e colocá-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher do seu irmão Filipe, com quem se tinha casado. 18João dizia a Herodes: “Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão”. 19Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia. 20Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava. 21Finalmente, chegou o dia oportuno. Era o aniversário de Herodes, e ele fez um grande banquete para os grandes da corte, os oficiais e os cidadãos importantes da Galileia. 22A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e seus convidados. Então o rei disse à moça: “Pede-me o que quiseres e eu to darei”. 23E lhe jurou, dizendo: “Eu te darei qualquer coisa que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino”. 24Ela saiu e perguntou à mãe: “O que vou pedir?” A mãe respondeu: “A cabeça de João Batista”. 25E, voltando depressa para junto do rei, pediu: “Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista”. 26O rei ficou muito triste, mas não pôde recusar. Ele tinha feito o juramento diante dos convidados. 27Imediatamente, o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, degolou-o na prisão, 28trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe. 29Ao saberem disso, os discípulos de João foram lá, levaram o cadáver e o sepultaram. – Palavra da salvação.
As palavras dos Papas
Caros irmãos e irmãs, celebrar o martírio de são João Batista recorda-nos, também a nós cristãos deste nosso tempo, que não se pode ceder a compromissos com o amor a Cristo, à sua Palavra e à Verdade. A Verdade é Verdade, não existem compromissos. A vida cristã exige, por assim dizer, o «martírio» da fidelidade quotidiana ao Evangelho, ou seja, a coragem de deixar que Cristo cresça em nós e que seja Cristo quem orienta o nosso pensamento e as nossas ações. Mas isto só se verifica na nossa vida se a nossa relação com Deus for sólida. A oração não é tempo perdido, não é roubar espaço às atividades, inclusive às obras apostólicas, mas é precisamente o contrário: se formos capazes de ter uma vida de oração fiel, constante e confiante, o próprio Deus dar-nos-á a capacidade e a força para viver de modo feliz e tranquilo, para superar as dificuldades e testemunhá-lo com coragem. São João Batista interceda por nós, a fim de sabermos conservar sempre o primado de Deus na nossa vida. (Papa Bento XVI, Audiência Geral de 29 de agosto de 2012)
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Portadores da verdade
Uma verdade que incomoda o mundo
O martírio como preço da verdade
Meus irmãos e minhas irmãs, hoje, nós celebramos, com toda a Igreja, o Martírio de São João Batista. O episódio da morte de João Batista se repetiu ao longo dos séculos na história da Igreja, na história cristã.
Quem ousou dizer, em voz alta, uma verdade que incomodava o sistema do mundo foi tirado de cena. Foi apagado da existência, foi eliminado.
Quantos testemunhos dos nossos irmãos cristãos que experimentaram o martírio por defenderem a verdade do Evangelho! Isso acontece com todos aqueles que se colocam como portadores da verdade, seja ela sobre Deus, seja ela sobre o ser humano – detalhe: portadores da verdade, e não donos da verdade. É muito diferente! Nós levamos a verdade de Deus, mas nós não somos proprietários dela.
A perseguição à verdade hoje
Quantos missionários, médicos, jornalistas, agentes sociais foram eliminados por regimes totalitários apenas pelo fato de dizerem a verdade, de narrarem os fatos! Hoje, facilmente, vemos isso com as redes sociais. Quantas pessoas de bem tiveram sua imagem e sua boa fama jogadas na lama através de comentários maliciosos, de narrativas mentirosas! Quanto desserviço à verdade se faz por aí!
O “Herodes” que trazemos dentro de nós
Nós trazemos um “Herodes” escondido dentro de nós.
Muitas vezes, a verdade sobre nós mesmos nos incomoda, e rejeitamos duramente o apelo que o Senhor nos faz à conversão. Herodes ouvia João Batista, mas ficava incomodado, ficava atrapalhado.
Até mesmo nós gostamos de ouvir certas coisas, mas aquelas que nos pedem mudança de vida, nós as cortamos logo na nossa vida, como foi a cabeça de João Batista cortada. Ou seja, nós fazemos calar imediatamente porque arriscamos perder o nosso lugar na corte das aparências e do fingimento.
A escolha entre a cumplicidade e a honestidade
Em certos momentos, temos que tomar uma dura decisão de viver como cúmplices de certos erros ou morrer como honestos defensores da verdade.
A escolha nós precisamos fazer, porque não podemos ficar em cima do muro. Nós temos que escolher pelo Senhor ou compactuar com as mentiras deste mundo.
Que o Senhor nos dê a graça de, de fato, escolhermos por Ele e pela fidelidade à verdade do Evangelho.
Sobre todos vós, desça a bênção do Deus Todo-Poderoso: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!
Padre Donizete Heleno Ferreira
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Martírio de São João Batista, o mártir da verdade

Origens
A memória do martírio de São João Batista associa-se à solenidade da sua Natividade, que se celebra em 24 de junho. João era primo de Jesus, concebido, de modo tardio, por Zacarias e Isabel, ambos descendentes de famílias sacerdotais: seu nascimento é colocado cerca de seis meses antes daquele de Cristo, segundo o episódio evangélico da Visita de Maria a Isabel.
Causa da Morte
A causa principal do martírio foi uma mulher: Herodíades, atual esposa de Herodes Antipas, ex-esposa do seu irmão de criação. João foi preso por ter denunciado este casamento ilegal.
Durante a festa de aniversário de Herodes, a filha de Herodíades, Salomé, dançou em homenagem ao rei, que era fascinado por ela: se ela dançasse, ele lhe permitiria pedir o que quisesse, até mesmo a metade do seu reino. Depois de consultar a mãe, ela pediu a cabeça de João Batista. Herodes não queria aceitar, mas não pôde recusar, porque lhe havia prometido.
A Morte
Algum tempo depois do pedido de Salomé, o carrasco trazia a cabeça do profeta em um prato, entregando-a para Salomé e para sua maldosa mãe.
Batista morreu como mártir, não um mártir da fé, porque não lhe pediram para renegá-la, mas um mártir da verdade. Ele era um homem “justo e santo” (At 3,14), condenado à morte por sua liberdade de expressão e fidelidade ao seu mandato.
João foi um mártir que sempre deixou espaço na sua vida, cada vez mais, para dar lugar ao Messias.
A Pequena Basílica
Por outro lado, a data da sua morte, ocorrida entre os anos 31 e 32, remonta à dedicação de uma pequena basílica, do século V, no lugar do seu sepulcro, em Sebaste da Samaria: de fato, parece que, naquele dia, tenha sido encontrada a sua cabeça, que o Papa Inocêncio II transladou para Roma, na igreja de São Silvestre “in Capite”.
Celebração
A celebração do martírio de São João Batista tem origens antigas: seu culto já existia na França, no século V, e em Roma no século seguinte.
Minha oração
“ Aquele que Batizou o Cristo também testemunhou com sua própria vida, ajudai-nos a dar bom testemunho de Jesus nos lugares mais extremos. Tornai os seus devotos testemunhas da verdade e da caridade até as últimas consequências. Amém!”
São João Batista, rogai por nós!