DIA 8 – SÁBADO
SÃO DOMINGOS, PRESBÍTERO
(branco, pref. comum, ou dos pastores – ofício da memória)
No meio da Igreja, o Senhor abriu os seus lábios, encheu-o com o espírito de sabedoria e inteligência e o revestiu com um manto de glória (Eclo 15,5).
Domingos nasceu na Espanha em 1170 e faleceu na Itália em 1221. Ordenado presbítero, tornou-se dedicado estudioso da Bíblia e grande pregador. Fundou a Ordem dos Pregadores, os Dominicanos, e foi fervoroso promotor da oração popular do rosário. A seu exemplo, sejamos propagadores do Evangelho cheios de fé e de confiança em Deus.
Primeira Leitura: Habacuc 1,12-2,4
Leitura da profecia de Habacuc – 12Acaso não existes desde o princípio, Senhor, meu Deus, meu santo, que não haverás de morrer? Senhor, puseste essa gente como instrumento de tua justiça; criaste-a, ó meu rochedo, para exercer punição. 13Teus olhos são puros para não veres o mal; não podes aceitar a visão da iniquidade. Por que, então, olhando para os malvados e vendo-os devorar o justo, ficas calado? 14Tratas os homens como os peixes do mar, como os répteis, que não têm dono. 15O pescador pega tudo com o anzol, puxa os peixes com a rede varredoura e recolhe-os na outra rede; com isso, alegra-se e faz a festa. 16Faz imolação por causa da sua malha, oferece incenso por causa da sua rede, porque com elas cresceu a captura de peixes e sua comida aumentou. 17Será por isso que ele sempre desembainhará a espada, para matar os povos sem dó nem piedade? 2,1Vou ocupar meu posto de guarda e estarei de atalaia, atento ao que me será dito e ao que será respondido à minha denúncia. 2Respondeu-me o Senhor, dizendo: “Escreve esta visão, estende seus dizeres sobre tábuas, para que possa ser lida com facilidade. 3A visão refere-se a um prazo definido, mas tende para um desfecho e não falhará; se demorar, espera, pois ela virá com certeza e não tardará. 4Quem não é correto vai morrer, mas o justo viverá por sua fé”. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 9A(9)
Vós nunca abandonais quem vos procura, ó Senhor.
1. Deus sentou-se para sempre no seu trono, / preparou o tribunal do julgamento; / julgará o mundo inteiro com justiça, / e as nações há de julgar com equidade. – R.
2. O Senhor é o refúgio do oprimido, / seu abrigo nos momentos de aflição. / Quem conhece o vosso nome em vós espera, / porque nunca abandonais quem vos procura. – R.
3. Cantai hinos ao Senhor Deus de Sião, / celebrai seus grandes feitos entre os povos! / Pois não esquece o clamor dos infelizes, / deles se lembra e pede conta do seu sangue. – R.
Evangelho: Mateus 17,14-20
Aleluia, aleluia, aleluia.
Jesus Cristo salvador destruiu o mal e a morte; / fez brilhar, pelo Evangelho, a luz e a vida imperecíveis (2Tm 1,10). – R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus –14Naquele tempo, chegando Jesus e seus discípulos junto da multidão, um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se e disse: 15“Senhor, tem piedade do meu filho. Ele é epilético e sofre ataques tão fortes, que muitas vezes cai no fogo ou na água. 16Levei-o aos teus discípulos, mas eles não conseguiram curá-lo!” 17Jesus respondeu: “Ó gente sem fé e perversa! Até quando deverei ficar convosco? Até quando vos suportarei? Trazei aqui o menino”. 18Então Jesus o ameaçou, e o demônio saiu dele. Na mesma hora, o menino ficou curado. 19Então, os discípulos aproximaram-se de Jesus e lhe perguntaram em particular: “Por que nós não conseguimos expulsar o demônio?” 20Jesus respondeu: “Porque a vossa fé é demasiado pequena. Em verdade vos digo, se vós tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda, direis a esta montanha: ‘Vai daqui para lá’ e ela irá. E nada vos será impossível”. – Palavra da salvação.
As palavras dos Papas
A semente de mostarda é muito pequena, contudo Jesus diz que é suficiente ter um pouco de fé, mas deve ser verdadeira, sincera, para fazer coisas humanamente impossíveis, impensáveis». Todos conhecemos pessoas simples, humildes, mas com uma fé fortíssima que deveras movem as montanhas! Pensemos, por exemplo, em certas mães e pais que enfrentam situações muito difíceis; ou em certos doentes, até gravíssimos, que transmitem serenidade a quem os vai visitar. Estas pessoas, precisamente pela sua fé, não se vangloriam do que fazem (…) Quantas pessoas no meio de nós possuem esta fé forte, humilde, e que faz tão bem! (…) Cada um de nós, na nossa vida diária, pode dar testemunho de Cristo, com a força de Deus, a força da fé. A pouca fé que temos, mas que é forte! Com esta força podemos dar testemunho de Jesus Cristo, ser cristãos com a vida, com o nosso exemplo! E de onde tiramos esta força? De Deus, na oração. A oração é o respiro da fé: numa relação de confiança, de amor, não pode faltar o diálogo, e a oração é o diálogo da alma com Deus. (Papa Francisco, Angelus de 6 de outubro de 2013)
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Meditação
Iluminar os corações com a luz da fé e da razão
Celebramos hoje, com grande alegria, a memória de São Domingos de Gusmão, o fundador dos dominicanos. Ele foi escolhido por Deus para uma vocação necessária na Igreja da Idade Média e também na Igreja atual: iluminar os corações com a luz sobrenatural da fé e a luz natural da razão.
Domingos era um padre espanhol que, em uma peregrinação a Roma, descobriu o estado lastimável da Igreja no sul da França, a qual estava sendo dizimada por hereges denominados cátaros.
Essa heresia era tão perniciosa e má que possuía uma aparência de virtude. Os cátaros eram apelidados, popularmente, como os “bons homens”, pois levavam uma vida que, comparada com a de outras pessoas, era virtuosa. Eles faziam jejuns tremendos e se abstinham de sexo, por exemplo. Em contraste, muitos clérigos eram pouco exemplares: frades com amantes, muito dados ao vinho e apegados ao dinheiro, aos bens materiais e às suas carreiras.
Portanto, havia aqueles que pregavam a Verdade com uma vida pouco exemplar e aqueles que propagavam o veneno da mentira com uma vida aparentemente virtuosa. Evidentemente, os hereges saíam ganhando. Alguns hoje podem até achar que os cátaros não eram tão ruins, mas a questão é a seguinte: eles fechavam a porta do Céu para os fiéis, propagando a heresia de que os Sacramentos não existiam.
Infelizmente, isso ainda acontece hoje, por meio dos protestantes. Na hora da morte, não há um padre que possa confessá-los, perdoar seus pecados e dar-lhes a Unção dos Enfermos. Eles também não possuem o sustento diário da Santa Eucaristia. Portanto, perdem todos os instrumentos essenciais da salvação.
Segundo os cátaros, bastava as pessoas serem iluminadas pela sua ideologia para serem salvas. No entanto, sabemos que a luz da ideologia não salva ninguém. Mesmo que aquele clero levasse uma vida pouco exemplar, eles tinham os Sacramentos, as chaves para abrir a porta do Reino dos Céus. Por isso, Domingos ficou desolado diante dessa tragédia e decidiu fundar a Ordem dos Dominicanos. Estes, com sua pobreza evangélica e sua vida exemplar, dedicavam-se a argumentar e debater com os cátaros para desmascarar suas mentiras e fazer brilhar entre os fiéis a luz da Verdade.
Peçamos, pois, a intercessão de São Domingos e dos seus seguidores dominicanos que tiveram sucesso naquilo que se propunham: iluminar os corações com a luz sobrenatural da fé e a luz natural da razão, debelar a heresia, tirar as pessoas da sedução da ideologia cátara e conduzi-los, mais uma vez, ao seio da santa Igreja Católica, a qual nos dá os santos Sacramentos.
Padre Paulo Ricardo
