DIA 30 – QUINTA-FEIRA
17ª SEMANA DO TEMPO COMUM*
(verde – ofício do dia)
Deus habita em seu santuário, reúne os fiéis em sua casa; ele mesmo dá vigor e força a seu povo (Sl 67,6s.36).
Diante das limitações e fraquezas humanas, é feliz quem toma a decisão de deixar-se modelar pelo Senhor, que deseja realizar grandes obras por nosso intermédio. Que esta santa Eucaristia nos purifique de toda incoerência na vivência dos valores do Reino de Deus!
Primeira Leitura: Jeremias 18,1-6
Leitura do livro do profeta Jeremias – 1Palavra dirigida a Jeremias, da parte do Senhor: 2“Levanta-te e vai à casa do oleiro, e ali te farei ouvir minhas palavras”. 3Fui à casa do oleiro, e eis que ele estava trabalhando ao torno; 4quando o vaso que moldava com barro se avariava em suas mãos, ei-lo de novo a fazer com esse material um outro vaso, conforme melhor lhe parecesse aos olhos. 5Fez-se em mim a palavra do Senhor: 6“Acaso não posso fazer convosco como este oleiro, casa de Israel? – diz o Senhor. Como é o barro na mão do oleiro, assim sois vós em minha mão, casa de Israel”. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 145(146)
Feliz quem se apoia no Deus de Jacó!
1. Bendize, minha alma, ao Senhor! † Bendirei ao Senhor toda a vida, / cantarei ao meu Deus sem cessar! – R.
2. Não ponhais vossa fé nos que mandam, / não há homem que possa salvar. / Ao faltar-lhe o respiro, ele volta † para a terra de onde saiu; / nesse dia seus planos perecem. – R.
3. É feliz todo homem que busca † seu auxílio no Deus de Jacó / e que põe no Senhor a esperança. / O Senhor fez o céu e a terra, / fez o mar e o que neles existe. – R.
Evangelho: Mateus 13,47-53
Aleluia, aleluia, aleluia.
Abre-nos, ó Senhor, o coração, / para ouvirmos a palavra de Jesus! (At 16,14) – R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 47“O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo. 48Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam. 49Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos 50e lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí haverá choro e ranger de dentes. 51Compreendestes tudo isso?” Eles responderam: “Sim”. 52Então Jesus acrescentou: “Assim, pois, todo mestre da Lei que se torna discípulo do Reino dos Céus é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”. 53Quando Jesus terminou de contar essas parábolas, partiu dali. – Palavra da salvação.
As palavras dos Papas
No Evangelho, Jesus fala do discernimento com imagens tiradas da vida comum; por exemplo, descreve os pescadores que selecionam os peixes bons e descartam os maus (…) É preciso inteligência, perícia e também vontade para fazer uma boa escolha. E há ainda um custo necessário para que o discernimento se torne viável. Para desempenhar a sua profissão da melhor forma, o pescador tem em consideração o cansaço, as longas noites passadas no mar, e além disso descarta uma parte da pesca, aceitando uma perda do lucro para o bem daqueles a quem se destina. (…) Cada um deve tomar decisões; não há ninguém que as tome por nós. Numa certa altura os adultos, livres, podem pedir conselhos, pensar, mas a decisão é pessoal; não se pode dizer: “Perdi isto, porque o meu marido decidiu, a minha esposa decidiu, o meu irmão decidiu”: não! Tu deves decidir, cada um de nós deve decidir (…) No juízo final Deus fará um discernimento – um grande discernimento – em relação a nós. (…) E, numa decisão boa, certa, encontra-se a vontade de Deus com a nossa vontade (…) O discernimento é árduo, mas indispensável para viver. Requer que eu me conheça, que saiba o que é bom para mim aqui e agora. Exige sobretudo uma relação filial com Deus. Deus é Pai e não nos deixa sozinhos, está sempre disposto a aconselhar-nos, a encorajar-nos, a acolher-nos. Mas nunca impõe a sua vontade. Por quê? Porque quer ser amado, não temido. E Deus também quer que sejamos filhos, não escravos: filhos livres. E o amor só pode ser vivido na liberdade. (…) Peçamos que o Espírito Santo nos guie! Invoquemo-lo todos os dias, especialmente quando devemos fazer escolhas. Obrigado! (Papa Francisco, Audiência Geral de 31 de agosto de 2022)
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Meditação
A parábola da rede e os maus católicos
No Evangelho de hoje, Jesus conclui o belíssimo discurso do capítulo 13 de São Mateus, conhecido como o discurso das parábolas. Depois de falar às multidões por meio de imagens e comparações, Ele se dirige intimamente aos discípulos, como o pai de família que tira de seu tesouro coisas novas e velhas.
Ao final desse discurso, Jesus apresenta uma última comparação de caráter apocalíptico, isto é, voltada para o fim dos tempos: a rede lançada ao mar. É importante notar que, neste capítulo, dividido entre as parábolas dirigidas à multidão e as explicações dadas aos discípulos, Cristo oferece dois ensinamentos a respeito da história universal.
À multidão, Ele fala por meio da parábola do joio e do trigo; aos discípulos, pela comparação da rede lançada ao mar. Mas qual é a diferença entre esses dois ensinamentos? Ora, a primeira parábola mostra que, dentro da Igreja, há trigo verdadeiro, isto é, cristãos autênticos, mas também há o joio, ou seja, as pessoas que não são verdadeiramente cristãs.
A comparação da rede, porém, apresenta outra distinção. Jesus fala daqueles que foram apanhados pela rede — ou seja, daqueles que têm fé e fazem parte da Igreja —, destacando que, mesmo entre os verdadeiros católicos, podem existir “peixes que não prestam”. A parábola do joio fala daqueles que não pertencem realmente à Igreja; enquanto que a da rede fala daqueles que pertencem a ela, mas não vivem de acordo com a fé que professam.
Por isso, Jesus nos adverte: nós, membros da Igreja e possuidores de uma fé reta, não temos nada garantido, e também corremos o risco da condenação eterna. Não basta, portanto, ter fé: é preciso dar um passo a mais e ser “peixes bons”, e isso significa amar.
Uma vez, então, que recebemos a graça de Deus pelo ato de fé, precisamos frutificar em atos de amor, pois é isso que verdadeiramente distingue os “peixes bons”. De nada adianta possuir uma fé reta e conservar um coração torto.
Jesus fala aos discípulos que estão com Ele na intimidade da casa, que é a Igreja, e mostra que, embora exista muita gente sem fé fora da Igreja, aqueles que estão dentro também precisam reconhecer que sua alma permanece em risco. Ninguém deve dizer presunçosamente: “Sou católico, portanto, estou salvo”. Todos devemos vigiar.
É verdade que recebemos uma grande graça: fomos pescados pela rede, isto é, temos fé e recebemos a graça de Deus. No entanto, a quem muito foi dado, muito também será exigido. Por isso, precisamos cuidar de nossa alma, ser humildes e não julgar os outros.
Como Jesus ensinou, não devemos querer arrancar o joio do meio do trigo, pois o julgamento pertence a outro. São Paulo diz: “Nem eu mesmo me julgo. É verdade que a minha consciência não me acusa de nada, mas nem por isso sou justificado. Meu juiz é o Senhor.” (1Cor 14, 3-4). Porque quem nos julgará é o Juiz bendito, que um dia virá para separar os peixes bons dos peixes maus.
Confiemo-nos, pois, a Cristo, e não desistamos de amar e de sermos bons católicos, para que, permanecendo humildes diante de Deus e correspondendo à graça divina, possamos perseverar no seu amor até o fim.
Padre Paulo Ricardo
