DIA 22 – QUINTA-FEIRA
2ª SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde – ofício do dia)
Toda a terra vos adore com respeito e proclame o louvor do vosso nome, ó Altíssimo (Sl 65,4).
As multidões buscavam em Jesus a cura para suas enfermidades. Mediante suas palavras e ações libertadoras, Jesus revelava a face paterna de Deus, a quem adoramos nesta liturgia com um coração confiante.
Primeira Leitura: 1 Samuel 18,6-9; 19,1-7
Leitura do primeiro livro de Samuel – Naqueles dias, 6quando Davi voltou, depois de ter matado o filisteu, as mulheres de todas as cidades de Israel saíram ao encontro do rei Saul, dançando e cantando alegremente ao som de tamborins e címbalos. 7E, enquanto dançavam, diziam em coro: “Saul matou mil, mas Davi matou dez mil”. 8Saul ficou muito encolerizado com isso e não gostou nada da canção, dizendo: “A Davi deram dez mil e a mim somente mil. Que lhe falta ainda, senão a realeza?” 9E, a partir daquele dia, não olhou mais para Davi com bons olhos.
19,1Saul falou a Jônatas, seu filho, e a todos os seus servos sobre sua intenção de matar Davi. Mas Jônatas, filho de Saul, amava profundamente Davi 2e preveniu-o a respeito disso, dizendo: “Saul, meu pai, procura matar-te; portanto, toma cuidado amanhã de manhã e fica oculto em um esconderijo. 3Eu mesmo sairei em companhia de meu pai, no campo, onde estiveres, e lhe falarei de ti, para ver o que ele diz, e depois te avisarei de tudo o que eu souber”. 4Então Jônatas falou bem de Davi a Saul, seu pai, e acrescentou: “Não faças mal algum ao teu servo Davi, porque ele nunca te ofendeu. Ao contrário, o que ele tem feito foi muito proveitoso para ti. 5Arriscou a sua vida, matando o filisteu, e o Senhor deu uma grande vitória a todo o Israel. Tu mesmo foste testemunha e te alegraste. Por que, então, pecarias, derramando sangue inocente e mandando matar Davi sem motivo?” 6Saul, ouvindo isso e aplacado com as razões de Jônatas, jurou: “Pela vida do Senhor, ele não será morto!” 7Então Jônatas chamou Davi e contou-lhe tudo isso. Levou-o em seguida a Saul, para que ele retomasse o seu lugar, como antes. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 55(56)
É no Senhor que eu confio e nada temo.
1. Tende pena e compaixão de mim, ó Deus, † pois há tantos que me calcam sob os pés / e agressores me oprimem todo dia! / Meus inimigos de contínuo me espezinham, / são numerosos os que lutam contra mim! – R.
2. Do meu exílio registrastes cada passo, † em vosso odre recolhestes cada lágrima / e anotastes tudo isso em vosso livro. / Meus inimigos haverão de recuar † em qualquer dia em que eu vos invocar; / tenho certeza: o Senhor está comigo! – R.
3. Confio em Deus e louvarei sua promessa. † É no Senhor que eu confio e nada temo: / que poderia contra mim um ser mortal? / Devo cumprir, ó Deus, os votos que vos fiz / e vos oferto um sacrifício de louvor. – R.
Evangelho: Marcos 3,7-12
Aleluia, aleluia, aleluia.
Jesus Cristo Salvador destruiu o mal e a morte; / fez brilhar pelo Evangelho a luz e a vida imperecíveis (2Tm 1,10). – R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 7Jesus se retirou para a beira do mar junto com seus discípulos. Muita gente da Galileia o seguia. 8E também muita gente da Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, do outro lado do Jordão, dos territórios de Tiro e Sidônia foi até Jesus, porque tinham ouvido falar de tudo o que ele fazia. 9Então Jesus pediu aos discípulos que lhe providenciassem uma barca, por causa da multidão, para que não o comprimisse. 10Com efeito, Jesus tinha curado muitas pessoas, e todos os que sofriam de algum mal jogavam-se sobre ele para tocá-lo. 11Vendo Jesus, os espíritos maus caíam a seus pés, gritando: “Tu és o Filho de Deus!” 12Mas Jesus ordenava severamente para não dizerem quem ele era. – Palavra da salvação.
As palavras dos Papas
Jesus que sai ao encontro da humanidade ferida mostra-nos o rosto do Pai. É possível que dentro de nós ainda exista a ideia de um Deus distante, frio, indiferente ao nosso destino (…); pelo contrário, é um Pai cheio de amor que se aproxima, que visita as nossas casas, que quer salvar e libertar, curar de todos os males do corpo e do espírito. Deus está sempre próximo de nós. A atitude de Deus pode ser expressa em três palavras: proximidade, compaixão e ternura. Deus que se aproxima para nos acompanhar, terno, e para nos perdoar. Não vos esqueçais disto: proximidade, compaixão e ternura. É esta a atitude de Deus. (…) Olhemos, então, para o caminho de Jesus e recordemos que o nosso primeiro trabalho espiritual é este: abandonar o Deus que julgamos conhecer e converter-nos diariamente ao Deus que Jesus nos apresenta no Evangelho, que é o Pai do amor e o Pai da compaixão. O Pai que é próximo, compassivo e terno. E quando descobrimos o verdadeiro rosto do Pai, a nossa fé amadurece: deixamos de ser “cristãos de sacristia”, ou “cristãos de salão”, mas sentimo-nos chamados a ser portadores da esperança e da cura de Deus. (Papa Francisco, Angelus de 4 de fevereiro de 2024)
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Meditação
O perigo da distorção dos ensinamentos de Cristo
No Evangelho de hoje, vemos o que parece ser um sucesso clamoroso de Jesus. Ele começa a realizar milagres e uma enorme multidão, que quase chega a esmagá-lo, vai ao seu encontro, deslumbrada. Então, enquanto prega de uma barca a fim de não ser comprimido, muitos demônios que estão sendo expulsos gritam: “Tu és o Filho de Deus”, revelando assim a identidade de Cristo. Contudo, curiosamente, Jesus ordena que eles se calem e não digam a ninguém quem Ele é.
Como podemos interpretar esse Evangelho? Primeiro, precisamos entender que Jesus realizava milagres e sinais por uma finalidade bem específica: fazer brotar a fé no coração das pessoas. No entanto, entre elas, havia algumas que eram oportunistas, ou seja, não tinham fé verdadeiramente e queriam apenas ver o “taumaturgo”, assim como Herodes, que ouviu falar sobre um grande “fazedor de milagres” e, por interesse e curiosidade, quis conhecê-lo, como quem quer ver um espetáculo. Entretanto, Jesus se afasta desse tipo de pessoa.
É evidente que todo o povo de Israel — o povo de Deus — esperava a vinda do Messias, Aquele que poderia ser chamado de Filho de Deus como Davi. No entanto, Jesus é muito mais do que Davi e não é o Messias esperado por todos, mas, sim, o Messias surpreendente, porque Ele vem de uma forma completamente diferente daquilo que as pessoas imaginavam. E é justamente por esse motivo que é mais importante o que Jesus diz e ensina do que os sinais que Ele realiza — os quais, no fundo, eram pregações práticas que precisavam ser compreendidas.
Neste Evangelho, portanto, Cristo está lutando contra uma possibilidade muito real: a de que a sua mensagem seja pervertida pelos demônios. Infelizmente, esse é um grande drama que aflige o cristianismo ao longo dos tempos, pois até mesmo o Evangelho pode ser mal interpretado. Estamos, então, diante de um estágio da pregação de Nosso Senhor em que Ele ainda não encontra, nem em seus Apóstolos nem em seus fiéis, uma fé profunda e verdadeiramente sólida. E, vendo que essa fé ainda frágil poderia ser arrebatada pelas mentiras do demônio, Jesus ordena que os espíritos malignos se calem.
Veremos mais adiante que o Evangelho de São Marcos irá nos conduzir até a famosa passagem da profissão de fé de São Pedro e, a partir dali, Jesus sistematicamente irá revelar cada vez mais quem é a sua Pessoa e qual é a sua missão.
Por isso, peçamos a Deus a graça de aumentarmos a nossa fé, a fim de que, iluminados por ela, possamos reconhecer em Cristo o verdadeiro Filho de Deus e unir-nos a Ele de todo o coração.
Padre Paulo Ricardo
