DIA 5 – QUINTA-FEIRA
São Zacarias e Santa Isabel (Memória facultativa)
31ª SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde – ofício do dia)
Não me abandoneis, Senhor, meu Deus, nem fiqueis longe de mim! Vinde em meu auxílio, ó Senhor, força da minha salvação! (Sl 37,22s)
Aqueles que se abrem à conversão experimentam a ternura da misericórdia divina e renovam a esperança da salvação. Nesta santa Eucaristia, celebremos a alegria de conhecer a Cristo e seu amor, e nos disponhamos a buscá-lo de todo o coração!
Primeira Leitura: Filipenses 3,3-8
Leitura da carta de São Paulo aos Filipenses – Irmãos, 3os verdadeiros circuncidados somos nós, que prestamos culto pelo Espírito de Deus, colocamos a nossa glória em Cristo Jesus e não pomos confiança na carne. 4Aliás, também eu poderia pôr minha confiança na carne. Pois, se algum outro pensa que pode confiar na carne, eu mais ainda. 5Fui circuncidado no oitavo dia, sou da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu filho de hebreus. Em relação à Lei, fariseu; 6pelo zelo, perseguidor da Igreja de Deus; quanto à justiça que vem da Lei, sempre irrepreensível. 7Mas essas coisas, que eram vantagens para mim, considerei-as como perda, por causa de Cristo. 8Na verdade, considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 104(105)
Exulte o coração dos que buscam o Senhor!
1. Cantai, entoai salmos para ele, / publicai todas as suas maravilhas! / Gloriai-vos em seu nome que é santo, / exulte o coração que busca a Deus! – R.
2. Procurai o Senhor Deus e seu poder, / buscai constantemente a sua face! / Lembrai as maravilhas que ele fez, / seus prodígios e as palavras de seus lábios! – R.
3. Descendentes de Abraão, seu servidor, / e filhos de Jacó, seu escolhido, / ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus, / vigoram suas leis em toda a terra. – R.
Evangelho: Lucas 15,1-10
Aleluia, aleluia, aleluia.
Vinde a mim, todos vós que estais cansados, / e descanso eu vos darei, diz o Senhor (Mt 11,28). – R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, 1os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. 2Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus: “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. 3Então, Jesus contou-lhes esta parábola: 4“Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto e vai atrás daquela que se perdeu até encontrá-la? 5Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria 6e, chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!’ 7Eu vos digo, assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão. 8E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente, até encontrá-la? 9Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!’ 10Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte”. – Palavra da salvação.
As palavras dos Papas
O Evangelho de hoje (…) começa com alguns que criticam Jesus, vendo-o na companhia de publicanos e pecadores, e dizem com desdém: «Ele acolhe os pecadores e come com eles» (v. 2). Na realidade esta frase revela-se um anúncio maravilhoso. Jesus acolhe os pecadores e come com eles. É o que nos acontece, em cada Missa, em cada igreja: Jesus está feliz por nos acolher na sua mesa, onde se oferece por nós. Esta é a frase que poderíamos escrever nas portas das nossas igrejas: «Aqui Jesus acolhe os pecadores e convida-os para a sua mesa». E o Senhor, respondendo aos que o criticavam (…), diz: «Qual é o homem dentre vós que, possuindo cem ovelhas e tendo perdido uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai à procura da que se tinha perdido, até a encontrar?» (v. 4) Qual de entre vós? Uma pessoa de bom senso não o faz: faz dois cálculos e sacrifica uma para manter as noventa e nove. Deus, ao contrário, não se resigna, Ele preocupa-se por ti, precisamente por ti que ainda não conheces a beleza do seu amor, por ti, que ainda não aceitaste Jesus no centro da tua vida, tu que não podes vencer o teu pecado, por ti que talvez ainda não acreditas no amor por causa das coisas más que aconteceram na tua vida. Na segunda parábola, tu és aquela pequena moeda que o Senhor não se resigna a perder e procura incansavelmente: Ele quer dizer-te que és precioso aos seus olhos, que és único. Ninguém te pode substituir no coração de Deus. Tu tens um lugar, és tu, e ninguém te pode substituir; e eu também, ninguém me pode substituir no coração de Deus. (Papa Francisco, Angelus de 15 de setembro de 2019)
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Meditação
De braços abertos, para nos proteger
No Evangelho de hoje, Jesus emprega uma das comparações mais ternas e repletas de amor de toda a Sagrada Escritura. Ele se apresenta como uma mãe cuidadosa, que ampara os filhos em meio aos perigos, e dirige-se para Jerusalém, dizendo: “Quantas vezes Eu quis reunir teus filhos, como a galinha reúne os pintinhos debaixo das asas, mas tu não quiseste!” (Lc 13, 34).
Para compreendermos verdadeiramente essa comparação, é preciso conhecer um pouco o cuidado que tem a galinha com os seus pintinhos. Eu mesmo nunca havia compreendido plenamente o significado dessa imagem até que, por Providência divina, fui nomeado pároco da Paróquia Nossa Senhora das Dores, em Barão de Melgaço, onde permaneci durante onze anos, a partir de 1996.
Certo dia, eu estava rio abaixo, em uma pequena comunidade chamada Estirão Comprido, na Capela São José, e almoçava na casa de uma ministra extraordinária da Comunhão. De repente, caiu um forte temporal, e imediatamente ela saiu para o terreiro para recolher os pintainhos, trazendo-os para dentro de casa e colocando-os em uma caixa cuidadosamente acolchoada com panos.
Perguntei-lhe o que estava fazendo, e ela respondeu: “Padre, se eles ficarem lá fora, expostos ao tempo, vão morrer de frio”. Foi então que compreendi o significado da imagem da galinha que recolhe os pintainhos debaixo das asas. Naquela idade, eles são extremamente frágeis e, diante do frio e da chuva, se permanecerem molhados e desamparados, podem morrer. Portanto, assim como os ovos se perdem se a galinha não os chocar e aquecer, também os pintinhos precisam ser acolhidos e protegidos sob suas asas.
Essa comparação, tão natural e evidente para Jesus e para os homens de sua época, pode parecer distante de nossa realidade, mas é por meio dela que Nosso Senhor quer revelar-nos o coração de Deus. Ora, nós somos como esses pintinhos: molhados, frágeis e, abandonados a nós mesmos, morreremos de frio. Logo, é necessário que alguém venha ao nosso encontro, recolha-nos e leve-nos para debaixo das asas daquela proteção benfazeja.
Foi exatamente isso que Jesus fez por nós ao vir a este mundo. Na Cruz, Ele abriu os braços e estendeu sobre nós, por assim dizer, as suas asas, a fim de que fôssemos defendidos dos males contra os quais, por nós mesmos, nada podemos. Afinal, o que podemos contra o poder de Satanás e de seus demônios? O que podemos contra a nossa própria maldade e malícia? O que podemos diante dos poderes articulados deste mundo?
Jesus lamenta que a nossa ingratidão nos leve a rejeitar justamente essa ternura, esse amor, esse carinho, esse amparo, essa proteção e essa salvação que Ele nos oferece. Por isso, diante de nossa miséria, Nosso Senhor adverte que não haverá salvação para nós enquanto não o reconhecermos e dissermos: “Bendito Aquele que vem em nome do Senhor”.
Cristo permanece de braços abertos, desejando acolher-nos sob as suas asas. Corramos, pois, ao seu encontro com confiança, buscando refúgio n’Aquele que jamais abandona os que a Ele recorrem. Coragem! Ele nos chama a permanecer junto de si, onde encontramos a força para vencer todo mal e a salvação de que tanto necessitamos.
Padre Paulo Ricardo
