DIA 8 – QUARTA-FEIRA
14ª SEMANA DO TEMPO COMUM*
(verde – ofício do dia)
Recebemos, Senhor, vossa misericórdia no meio do vosso templo. Como vosso nome, ó Deus, assim vosso louvor ressoa até os confins da terra; vossa destra está cheia de justiça (Sl 47,10s).
“A Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária” (Decreto Ad Gentes, n. 2). Em todos os tempos, novos discípulos são chamados e enviados a anunciar o Reino de Deus e suas exigências. Com o coração voltado apenas para o Senhor, celebremos agradecidos pelo amor e pela justiça que ele derrama sobre nós.
Primeira Leitura: Oseias 10,1-3.7-8.12
Leitura da profecia de Oseias – 1Israel era uma vinha exuberante e dava frutos para seu consumo; na medida de sua produção, erguia os numerosos altares; na medida da fertilidade da terra, embelezava seus ídolos. 2Com o coração dividido, deve agora receber castigo; o Senhor mesmo derrubará seus altares, destruirá os seus simulacros. 3Decerto, dirão agora: “Não temos rei; não temos medo do Senhor. Que poderia o rei fazer por nós?” 7Samaria está liquidada, seu rei vai flutuando como palha em cima da água. 8Será desmantelada a idolatria dos lugares altos, pecado de Israel; ali crescerão espinhos e abrolhos sobre seus altares; então se dirá aos montes: “Cobri-nos!”, e às colinas: “Caí sobre nós!” 12Semeai justiça entre vós e colhereis amor; desbravai uma roça nova. É tempo de procurar o Senhor, até que ele venha e derrame a justiça em vós. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 104(105)
Buscai constantemente a face do Senhor!
1. Cantai, entoai salmos para ele, / publicai todas as suas maravilhas! / Gloriai-vos em seu nome, que é santo, / exulte o coração que busca a Deus! – R.
2. Procurai o Senhor Deus e seu poder, / buscai constantemente a sua face! / Lembrai as maravilhas que ele fez, / seus prodígios e as palavras de seus lábios! – R.
3. Descendentes de Abraão, seu servidor, / e filhos de Jacó, seu escolhido, / ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus, / vigoram suas leis em toda a terra. – R.
Evangelho: Mateus 10,1-7
Aleluia, aleluia, aleluia.
Convertei-vos e crede no Evangelho, / pois o Reino de Deus está chegando! (Mc 1,15) – R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, 1Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade. 2Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João; 3Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus. 5Jesus enviou esses doze com as seguintes recomendações: “Não deveis ir aonde moram os pagãos nem entrar nas cidades dos samaritanos! 6Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! 7Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’”. – Palavra da salvação.
As palavras dos Papas
Os Doze deverão cooperar com Jesus na instauração do Reino de Deus, ou seja, o seu senhorio benéfico, portador de vida, e de vida em abundância para toda a humanidade. Em síntese a Igreja, como Cristo e juntamente com Ele, é chamada e enviada a instaurar o Reino da vida e a expulsar o domínio da morte, para que no mundo triunfe a vida de Deus, triunfe Deus que é Amor. Esta obra de Cristo é sempre silenciosa, não é espectacular; precisamente na humildade do ser Igreja, do viver o Evangelho todos os dias, cresce a frondosa árvore da verdadeira vida. Precisamente com estes inícios humildes o Senhor encoraja-nos porque, também na humildade da Igreja de hoje, na pobreza da nossa vida cristã, podemos ver a sua presença e ter assim a coragem de ir ao seu encontro e tornar presente nesta terra o seu amor, esta força de paz e de verdadeira vida. (…) A este respeito, é útil reflectir que os doze Apóstolos não eram homens perfeitos, escolhidos pela sua irrepreensibilidade moral e religiosa. Eram crentes, sim, cheios de entusiasmo e de zelo, mas ao mesmo tempo marcados pelos seus limites humanos, às vezes até graves. Portanto, Jesus não os chamou porque já eram santos, completos, perfeitos, mas para que tal se tornassem, para que fossem transformados, para mudar desse modo também a história.
(Papa Bento XVI, Brindisi, Homilia de 15 de junho de 2008)
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Meditação
Os pastores santos são fruto da oração
No Evangelho de hoje, Jesus chama os seus Doze Apóstolos e lhes dá o poder de expulsar demônios e curar enfermidades. Vimos ontem que Nosso Senhor contemplou as multidões e compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas como ovelhas sem pastor. E por que o povo se encontrava nessa situação?
Para responder a essa pergunta, precisamos compreender, antes de tudo, o que significa o povo de Deus. Trata-se daquela parcela da humanidade que o Senhor separou para si: o povo de Israel. E fez isso justamente porque desejava preparar o caminho para a vinda de seu Filho por meio de um povo que conservasse a fé. É por isso que Ele chama Abraão, cuja fé recebida deveria atravessar os séculos e ser transmitida de geração em geração.
No entanto, a história de Israel é marcada por muitas infidelidades. O povo foi escravizado no Egito; depois, passou por um tempo de purificação e libertação no deserto. Quando finalmente entrou na Terra Prometida, caiu num período de decadência espiritual, o tempo dos juízes, em que as virtudes praticamente desapareceram.
Mais tarde, o povo pediu um rei, e Deus lhes deu Saul. Porém, ele começou a oprimir o povo, e logo Deus lhes deu Davi, um pastor segundo o seu Coração. Ainda assim, o povo não se converteu e, aos poucos, Davi tornou-se mais uma promessa do que uma realização. Em outras palavras, o rei pastor apontava para aquele Pastor definitivo que ainda haveria de vir.
Depois de Davi, sucederam-se diversos reis que, uns mais, outros menos, seguiram o caminho da infidelidade. Os sacerdotes também se afastaram de sua missão, enquanto os profetas denunciavam constantemente a dureza de coração do povo de Israel. Era um povo de dura cerviz, em que a fé se enfraquecia cada vez mais. Por isso, eram como ovelhas sem pastor. Afinal, quando não existe um pastor disposto a dar a vida pelas ovelhas, elas se dispersam.
Na época de Jesus, contudo, o problema era mais grave: os lobos que devoravam o rebanho eram justamente aqueles que deveriam protegê-lo. Os sacerdotes e os fariseus, chamados a cuidar do povo, tinham se transformado em sua maior ameaça. Então, quando Jesus iniciou sua pregação, praticamente nada disse contra o poder político e opressor dos romanos, pois seu confronto principal era contra aqueles que deveriam ser pastores, mas comportavam-se como lobos vorazes.
Diante dessa realidade, Cristo se compadece do povo e decide dar-lhe novos pastores, fato que o Evangelho de hoje nos apresenta. Nosso Senhor chama os doze discípulos e concede-lhes autoridade para expulsar os espíritos malignos, precisamente aquilo que dispersa o rebanho, e para curar toda espécie de enfermidade, sobretudo as espirituais. Assim, começa a prepará-los para serem os pastores do Novo Testamento, da Nova Aliança, da Igreja por Ele instituída.
É importante, porém, sabermos que esses pastores nasceram da oração de Jesus. O Evangelho de São Lucas, embora não seja proclamado hoje, relata que Ele passou a noite inteira em oração antes de escolher os Doze Apóstolos. E o próprio Evangelho de São Mateus, na passagem que lemos ontem, traz a recomendação de Cristo: “Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita!” (Mt 9, 38).
Se alguém, pois, sofre pela falta de bons e santos pastores, sacerdotes ou bispos, precisa rezar como Jesus ensinou ao pedir operários para a sua messe. Lembremos também que, na Última Ceia, Nosso Senhor reuniu os Doze e disse-lhes: “Já não vos chamo servos, mas amigos” (cf. Jo 15, 15). Portanto, peçamos a Deus sacerdotes que cultivem uma profunda amizade com Cristo e configurem o seu coração ao d’Ele, para que se compadeçam das ovelhas sem pastor e estejam dispostos a dar a própria vida por elas.
Padre Paulo Ricardo
