DIA 31 – SEXTA-FEIRA
SANTO INÁCIO DE LOYOLA, PRESBÍTERO
(branco, pref. comum ou dos pastores – ofício da memória)
Ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua, proclame: Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai (Fl 2,10s).
Inácio nasceu na Espanha, em 1491, e faleceu em Roma, em 1556. Influenciado pela leitura da vida de Cristo, deixou a carreira militar e se tornou padre. Fundou a Companhia de Jesus, os Jesuítas. Redigiu os Exercícios espirituais, obra que se tornou um clássico da espiritualidade para todos os tempos e influenciou diversos fundadores de institutos religiosos. Seu lema era: “Tudo para a maior glória de Deus”.
Primeira Leitura: Jeremias 26,1-9
Leitura do livro do profeta Jeremias – 1No início do reinado de Joaquim, filho de Josias, rei de Judá, foi comunicada, da parte do Senhor, esta palavra que dizia: 2“Assim fala o Senhor: Põe-te de pé no átrio da casa do Senhor e fala a todos os que vêm das cidades de Judá, para adorar o Senhor no templo, todas as palavras que eu te mandei dizer. Não retires uma só palavra; 3talvez eles as ouçam e voltem do mau caminho, e eu me arrependa da decisão de castigá-los por suas más obras. 4A eles então dirás: Isto diz o Senhor: Se não vos dispuserdes a viver segundo a lei que vos dei, 5a escutar as palavras dos meus servos, os profetas, que eu vos tenho enviado com solicitude e para vossa orientação, e que vós não tendes escutado, 6farei desta casa uma segunda Silo e farei desta uma cidade amaldiçoada por todos os povos da terra”. 7Os sacerdotes e profetas e todo o povo presente ouviram Jeremias dizer essas palavras na casa do Senhor. 8Quando Jeremias acabou de dizer tudo o que o Senhor lhe ordenara falasse a todo o povo, prenderam-no os sacerdotes, os profetas e o povo, dizendo: “Este homem tem que morrer! 9Por que dizes, em nome do Senhor, a profecia: ‘Esta casa será como Silo, e esta cidade será devastada e vazia de habitantes’?” Todo o povo juntou-se contra Jeremias na casa do Senhor. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 68(69)
Respondei-me, ó Senhor, pelo vosso imenso amor.
1. Mais numerosos que os cabelos da cabeça / são aqueles que me odeiam sem motivo; / meus inimigos são mais fortes do que eu; / contra mim eles se voltam com mentiras! / Por acaso poderei restituir / alguma coisa que de outros não roubei? – R.
2. Por vossa causa é que sofri tantos insultos / e o meu rosto se cobriu de confusão; / eu me tornei como um estranho a meus irmãos, / como estrangeiro para os filhos de minha mãe. / Pois meu zelo e meu amor por vossa casa / me devoram como fogo abrasador; / e os insultos de infiéis que vos ultrajam / recaíram todos eles sobre mim! – R.
3. Por isso elevo para vós minha oração / neste tempo favorável, Senhor Deus! / Respondei-me pelo vosso imenso amor, / pela vossa salvação que nunca falha! – R.
Evangelho: Mateus 13,54-58
Aleluia, aleluia, aleluia.
A palavra do Senhor permanece eternamente, / e esta é a palavra que vos foi anunciada (1Pd 1,25). – R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, 54dirigindo-se para a sua terra, Jesus ensinava na sinagoga, de modo que ficavam admirados. E diziam: “De onde lhe vem essa sabedoria e esses milagres? 55Não é ele o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? 56E suas irmãs não moram conosco? Então, de onde lhe vem tudo isso?” 57E ficaram escandalizados por causa dele. Jesus, porém, disse: “Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família!” 58E Jesus não fez ali muitos milagres, porque eles não tinham fé. – Palavra da salvação.
As palavras dos Papas
Na liturgia de hoje, o Evangelho narra a primeira pregação de Jesus na sua cidade, Nazaré. O êxito é amargo: em vez de receber aprovação, Jesus encontra incompreensão e até hostilidade (…). Os seus concidadãos, mais do que uma palavra de verdade, queriam milagres, sinais prodigiosos. O Senhor não os realiza e eles rejeitam-no, pois dizem que já o conheciam desde criança, que é o filho de José (…) e outras coisas mais. Então, Jesus pronunciou uma frase que se tornou proverbial: «Nenhum profeta é bem aceito na sua pátria» (…). Estas palavras revelam que o fracasso para Jesus não foi totalmente inesperado. Conhecia o seu povo, conhecia o coração do seu povo, conhecia o risco que estava a correr e previa a rejeição. Então podemos perguntar-nos: se é assim, se previa o fracasso, por que foi à sua cidade? Por que fazer o bem a pessoas que não estão dispostas a aceitá-lo? É uma pergunta que nos fazemos com frequência. Contudo, é uma questão que nos ajuda a compreender melhor a Deus. Face aos nossos fechamentos, Ele não retrocede: não põe limites ao seu amor. Perante os nossos fechamentos, Ele vai em frente. Vemos um reflexo disso nos pais que estão conscientes da ingratidão dos filhos, mas não deixam de os amar e de lhes fazer o bem. Deus é assim, mas a um nível muito mais elevado. E hoje também nos convida a acreditar no bem, a nunca deixar de procurar fazer o bem. (Papa Francisco, Angelus de 30 de janeiro de 2022)
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Meditação
Santo Inácio e o método para mudar de vida
Com grande alegria, celebramos hoje a memória de Santo Inácio de Loyola, o fundador da Companhia de Jesus e, sobretudo, o autor dos Exercícios Espirituais. Esta, mais do que uma obra, é um método de como “desentortar” a vida.
Vemos, nos ensinamentos de muitos santos, verdadeiros caminhos para o progresso na vida espiritual. Santa Teresa d’Ávila, por exemplo, apresenta-nos as Moradas e os diferentes estágios da vida interior; São Francisco de Sales, por sua vez, ensina-nos sobre a vida devota, vivida em meio aos deveres próprios de cada estado de vida; e assim poderíamos citar tantos outros. De modo geral, os santos que se dedicaram a compreender o progresso espiritual falam de um estágio em que a pessoa já tomou consciência e, ao menos nesse sentido, tomou posse daquilo que constitui a finalidade da própria vida.
Contudo, Santo Inácio, que viveu no início da era moderna — e fora, antes de sua conversão, bastante mundano —, notou que não adiantava ficar falando para as pessoas sobre os estágios mais avançados da vida espiritual se não houvesse um método, com “exercícios espirituais”, para fazer com que a pessoa desentortasse a sua vida.
Para usar uma regra filosófica em que Santo Tomás insiste muito: um pequeno erro no princípio termina sendo um grande erro no fim. Se o avião parte, mas o piloto digita um pequeno erro, meio grau fora da rota, depois de algumas horas de viagem, vai terminar num lugar completamente diferente, distante daquele ao qual ele se destinava.
Pois bem, nós vivemos num tempo em que as pessoas, como Martas agitadas, não entendem que é necessário ter uma finalidade na vida, a qual, em seus Exercícios Espirituais, Santo Inácio chama de “princípio e fundamento”. Ele diz: “O ser humano é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus, Nosso Senhor, e assim salvar-se”. Essa é a finalidade de termos sido criados: amar a Deus, e com isso nos salvar.
Então, uma vez que sabemos qual é a finalidade de nossas vidas, agora temos de entender uma segunda verdade: como o ser humano foi colocado no centro da Criação, “as outras coisas devem servir a nós e nos ajudar a atingirmos o fim para o qual fomos criado”. Ou seja, todas as criaturas servem a nós para que nós sirvamos a Deus.
Santo Inácio, por fim, conclui dizendo que devemos nos aproximar dessas coisas se elas nos ajudarem a nos aproximarmos de Deus, e devemos nos afastar delas, se elas nos impedirem de nos unirmos a Deus.
Portanto, Santo Inácio criou os Exercícios Espirituais exatamente para desentortar vidas, ou seja, para fazer com que os seres humanos que estavam com a vida toda torta — a cada hora procurando uma finalidade diferente, uma razão de ser diferente — pudessem se endireitar e entendessem que precisam de uma meta clara e verdadeira. É aquilo que Jesus disse a Marta: “Marta, um só é necessário”. Existe um “Unicum Necessarium”. Santo Inácio explicita isso nos Exercícios Espirituais, dizendo: “Amar e servir a Deus e com isso salvar-se”. Estamos aqui de passagem; viemos para o Céu. Porém, nós nos esquecemos disso, e por isso ficamos como birutas, sem saber para onde ir.
Muitas pessoas querem crescer espiritualmente, mas ficam estudando os estágios posteriores da vida espiritual, preocupadas com um detalhe ou outro, e não se dão conta de que, antes dessa preocupação — que, de fato, é importante — é preciso saber para onde se está indo.
Se não desentortarmos a nossa vida, até mesmo a tentativa de crescermos espiritualmente será somente uma vaidade que irá nos levar para longe de Deus. Por isso, coragem! Examinemos nossa vida e vejamos se ela não está longe do princípio e do fundamento. Que Santo Inácio interceda por nós.
Padre Paulo Ricardo
