DIA 24 – SEXTA-FEIRA
3ª SEMANA DA PÁSCOA
(branco – ofício do dia)
O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor, aleluia (Ap 5,12).
A conversão do coração nasce da experiência pessoal com o Ressuscitado, que faz cair dos nossos olhos as “escamas do pecado” e nos transforma em apóstolos da ressurreição. Que esta Eucaristia nos fortaleça em nossos bons propósitos e na missão de a todos pregar o Evangelho!
Primeira Leitura: Atos 9,1-20
Leitura dos Atos dos Apóstolos – Naqueles dias, 1Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Ele apresentou-se ao sumo sacerdote 2e pediu-lhe cartas de recomendação para as sinagogas de Damasco, a fim de levar presos para Jerusalém os homens e mulheres que encontrasse seguindo o Caminho. 3Durante a viagem, quando já estava perto de Damasco, Saulo, de repente, viu-se cercado por uma luz que vinha do céu. 4Caindo por terra, ele ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” 5Saulo perguntou: “Quem és tu, Senhor?” A voz respondeu: “Eu sou Jesus, a quem tu estás perseguindo. 6Agora, levanta-te, entra na cidade, e ali te será dito o que deves fazer”. 7Os homens que acompanhavam Saulo ficaram mudos de espanto, porque ouviam a voz, mas não viam ninguém. 8Saulo levantou-se do chão e abriu os olhos, mas não conseguia ver nada. Então pegaram nele pela mão e levaram-no para Damasco. 9Saulo ficou três dias sem poder ver. E não comeu nem bebeu. 10Em Damasco havia um discípulo chamado Ananias. O Senhor o chamou numa visão: “Ananias!” E Ananias respondeu: “Aqui estou, Senhor!” 11O Senhor lhe disse: “Levanta-te, vai à rua que se chama Direita e procura, na casa de Judas, por um homem de Tarso chamado Saulo. Ele está rezando”. 12E, numa visão, Saulo contemplou um homem chamado Ananias entrando e impondo-lhe as mãos para que recuperasse a vista. 13Ananias respondeu: “Senhor, já ouvi muitos falarem desse homem e do mal que fez aos teus fiéis que estão em Jerusalém. 14E aqui em Damasco ele tem plenos poderes, recebidos dos sumos sacerdotes, para prender todos os que invocam o teu nome”. 15Mas o Senhor disse a Ananias: “Vai, porque esse homem é um instrumento que escolhi para anunciar o meu nome aos pagãos, aos reis e ao povo de Israel. 16Eu vou mostrar-lhe quanto ele deve sofrer por minha causa”. 17Então Ananias saiu, entrou na casa e impôs as mãos sobre Saulo, dizendo: “Saulo, meu irmão, o Senhor Jesus, que te apareceu quando vinhas no caminho, ele me mandou aqui para que tu recuperes a vista e fiques cheio do Espírito Santo”. 18Imediatamente caíram dos olhos de Saulo como que escamas e ele recuperou a vista. Em seguida, Saulo levantou-se e foi batizado. 19Tendo tomado alimento, sentiu-se reconfortado. Saulo passou alguns dias com os discípulos de Damasco 20e logo começou a pregar nas sinagogas, afirmando que Jesus é o Filho de Deus. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 116(117)
Ide por todo o mundo, / a todos pregai o Evangelho.
1. Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, / povos todos, festejai-o! – R.
2. Pois comprovado é seu amor para conosco, / para sempre ele é fiel! – R.
Evangelho: João 6,52-59
Aleluia, aleluia, aleluia.
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue / em mim permanece, e eu vou ficar nele (Jo 6,56). – R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, 52os judeus discutiam entre si, dizendo: “Como é que ele pode dar a sua carne a comer?” 53Então Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 54Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida. 56Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 57Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim o que me come viverá por causa de mim. 58Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram. Aquele que come este pão viverá para sempre”. 59Assim falou Jesus, ensinando na sinagoga em Cafarnaum. – Palavra da salvação.
As palavras dos Papas
O pão do céu é um dom que supera qualquer expectativa. Aqueles que não compreendem o estilo de Jesus permanecem desconfiados: parece impossível, até desumano, comer a carne de outro (cf. v. 54). A carne e o sangue, pelo contrário, são a humanidade do Salvador, a sua própria vida oferecida como alimento para a nossa. (…) O Cristo, verdadeiro homem, sabe bem que é preciso comer para viver. Mas sabe também que isto não é suficiente. Depois de ter multiplicado o pão terreno (cf. Jo 6, 1-14), prepara um dom ainda maior: Ele mesmo se torna verdadeira comida e verdadeira bebida (cf. v. 55). (…) O pão celeste, que vem do Pai, é precisamente o Filho feito carne para nós. Este alimento é mais do que necessário para nós, porque sacia a fome de esperança, a fome de verdade, a fome de salvação que todos nós sentimos não no estômago, mas no coração. A Eucaristia é necessária, para todos. Jesus cuida da maior necessidade: salva-nos, alimentando a nossa vida com a sua, e isto para sempre. E, graças a Ele, podemos viver em comunhão com Deus e uns com os outros. O pão vivo e verdadeiro não é, portanto, algo mágico, não, não é algo que, de repente, resolve todos os problemas, mas é o próprio Corpo de Cristo, que dá esperança aos pobres e vence a arrogância daqueles que se empanturram em detrimento deles. (Papa Francisco, Angelus de 18 de agosto de 2024)
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Meditação
Cristo, sustento e finalidade de nossas vidas
No Evangelho de hoje, Jesus conclui o belíssimo discurso do Pão da Vida, ao qual os judeus reagem com indignação: “Como é que Ele pode dar a sua carne a comer?” (Jo 6, 52).
Diante dessa reação, fica claro que, para acolhermos os ensinamentos de Cristo, precisamos de uma verdadeira intervenção divina e de uma graça que sustente a nossa fé. Contudo, o que Jesus nos pede, no fundo, é algo muito concreto: que vivamos por Ele. É isso que Ele mesmo diz: “Como o Pai, que vive, me enviou, e Eu vivo por causa do Pai, assim o que me come viverá por causa de mim” (Jo 6, 57).
Se olharmos para a nossa vida cotidiana, entenderemos melhor essa comparação. O pão é aquilo que nos sustenta materialmente, e por ele nós vivemos. Da mesma forma, nós também devemos nos alimentar espiritualmente do Pão que nunca perece: o próprio Cristo.
Mas não se trata apenas de sustento. O pão também é a razão dos nossos esforços diários. Levantamo-nos e trabalhamos duro para ganhá-lo todos os dias. Assim também o Pão não é só a fonte de energia que nos mantém de pé, mas também a finalidade que orienta nossas ações.
É exatamente nesses dois sentidos que somos chamados a viver por Jesus. Vivemos por Ele, porque é d’Ele que recebemos a vida — não a vida biológica, bios, mas a vida sobrenatural e eterna, zoé, que vem de Deus — e, ao mesmo tempo, precisamos esforçar-nos para alcançá-la, pois ela é a finalidade da nossa existência.
Logo, quando vivemos por Jesus — que é a origem da vida que possuímos e a razão pela qual vivemos — realizamos em nós aquilo que proclamamos na conclusão da Oração Eucarística: “Por Cristo, com Cristo e em Cristo”. Que o Sagrado Coração de Jesus, fornalha ardente de amor, seja também para nós fonte de vida — e de vida em abundância.
Padre Paulo Ricardo
