DIA 17 – SEXTA-FEIRA
2ª SEMANA DA PÁSCOA
(branco – ofício do dia)
Vós nos redimistes, Senhor, pelo vosso sangue, de todas as raças, línguas, povos e nações, e fizestes de nós um reino e sacerdotes para nosso Deus, aleluia (Ap 5,9s).
O testemunho dos apóstolos nos encoraja a “ensinar e anunciar o Evangelho de Jesus Cristo” em todas as realidades existenciais. Ao celebrarmos o banquete da vida eterna, fortaleçamos nosso compromisso de solidariedade com os mais necessitados.
Primeira Leitura: Atos 5,34-42
Leitura dos Atos dos Apóstolos – Naqueles dias, 34um fariseu, chamado Gamaliel, levantou-se no sinédrio. Era mestre da Lei, e todo o povo o estimava. Gamaliel mandou que os acusados saíssem por um instante. 35Depois disse: “Homens de Israel, vede bem o que estais para fazer contra esses homens. 36Algum tempo atrás apareceu Teudas, que se fazia passar por uma pessoa importante, e a ele se juntaram cerca de quatrocentos homens. Depois ele foi morto, e todos os que o seguiam debandaram, e nada restou. 37Depois dele, no tempo do recenseamento, apareceu Judas, o galileu, que arrastou o povo atrás de si. Contudo, também ele morreu e todos os seus seguidores se dispersaram. 38Quanto ao que está acontecendo agora, dou-vos um conselho: não vos preocupeis com esses homens e deixai-os ir embora. Porque, se esse projeto ou essa atividade é de origem humana, será destruído. 39Mas, se vem de Deus, vós não conseguireis eliminá-los. Cuidado para não vos pordes em luta contra Deus!” E os membros do sinédrio aceitaram o parecer de Gamaliel. 40Chamaram então os apóstolos, mandaram açoitá-los, proibiram que eles falassem em nome de Jesus e depois os soltaram. 41Os apóstolos saíram do conselho muito contentes por terem sido considerados dignos de injúrias por causa do nome de Jesus. 42E cada dia, no templo e pelas casas, não cessavam de ensinar e anunciar o Evangelho de Jesus Cristo. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 26(27)
Ao Senhor eu peço apenas uma coisa: / habitar no santuário do Senhor.
1. O Senhor é minha luz e salvação; / de quem eu terei medo? / O Senhor é a proteção da minha vida; / perante quem eu tremerei? – R.
2. Ao Senhor eu peço apenas uma coisa / e é só isto que eu desejo: / habitar no santuário do Senhor / por toda a minha vida; / saborear a suavidade do Senhor / e contemplá-lo no seu templo. – R.
3. Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver / na terra dos viventes. / Espera no Senhor e tem coragem, / espera no Senhor! – R.
Evangelho: João 6,1-15
Aleluia, aleluia, aleluia.
O homem não vive somente de pão, / mas de toda palavra da boca de Deus (Mt 4,4). – R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, 1Jesus foi para o outro lado do mar da Galileia, também chamado de Tiberíades. 2Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes. 3Jesus subiu ao monte e sentou-se aí com os seus discípulos. 4Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. 5Levantando os olhos e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: “Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?” 6Disse isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer. 7Filipe respondeu: “Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um”. 8Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, disse: 9“Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?” 10Jesus disse: “Fazei sentar as pessoas”. Havia muita relva naquele lugar, e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens. 11Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes. 12Quando todos ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: “Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca!” 13Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido. 14Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: “Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo”. 15Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte. – Palavra da salvação.
As palavras dos Papas
Procuremos agora colocar-nos no lugar desse rapaz. Os discípulos pedem-lhe que partilhe tudo o que tem para comer. Parece uma proposta sem sentido, aliás, injusta. Por que privar uma pessoa, sobretudo um menino, do que trouxe de casa e tem o direito de reservar para si? Por que tirar a uma pessoa o que não é suficiente para alimentar toda a gente? Humanamente, é ilógico. Mas para Deus não. Pelo contrário, graças a esse pequeno dom gratuito e, portanto, heroico, Jesus pode dar de comer a todos. Para nós é um grande ensinamento. Diz-nos que o Senhor pode fazer muito com o pouco que pomos à sua disposição. Seria bom perguntarmo-nos todos os dias: “O que levo hoje a Jesus?”. Ele pode fazer muito com uma nossa oração, com um nosso gesto de caridade para com os outros, até com uma das nossas misérias entregues à sua misericórdia. A nossa pequenez a Jesus, e Ele faz milagres. É assim que Deus gosta de agir: Ele faz grandes coisas a partir das pequenas, a partir das gratuitas. (Papa Francisco, Angelus de 25 de julho de 2021)
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Meditação
A missão da Igreja e o modo de agir de Deus
Iniciamos hoje a leitura do capítulo 6 do Evangelho de São João, que começa com a multiplicação dos pães. Esse episódio se insere em um contexto mais amplo, no qual São João nos apresenta uma das páginas mais belas do Evangelho: o discurso de Jesus sobre o Pão da Vida. É nessa perspectiva que somos convidados a compreender o Evangelho de hoje.
Na multiplicação dos pães, Jesus nos pede fé — e isso aparece com clareza desde o início. Ele pergunta aos discípulos: “Onde vamos arranjar comida para tanta gente?” A reação deles é de perplexidade, mas o próprio Evangelho nos diz que Jesus faz essa pergunta para colocá-los à prova.
Aqui, vemos refletida a realidade da Igreja: ela é a casa de Deus, onde uma multidão busca alimento. Os padres e bispos, como os Apóstolos, são chamados a alimentar esse povo. No entanto, quantas vezes, na pastoral, eles acabam confiando mais em suas próprias forças do que na presença do Cristo Ressuscitado? Depositando sua esperança em si mesmos?
Quem coloca sua esperança apenas no ser humano acaba colhendo desespero. Jesus, portanto, quer nos mostrar uma verdade muito clara: a Igreja precisa agir e alimentar as multidões, mas os recursos humanos — os “pães e peixes” que temos — são pobres e insuficientes.
Quem vê tudo apenas com mentalidade mundana tenta transformar a Igreja em uma empresa, apostando em estratégias humanas, marketing e promoção, como se sua missão fosse tornar-se um empreendimento de sucesso. Contudo, esse não é o caminho de Deus. Ele age justamente quando fica evidente a desproporção entre os nossos esforços e a sua ação, permitindo que vejamos a nossa limitação para, então, manifestar a abundância da sua graça. Assim, percebemos que o nosso esforço é pequeno, mas o resultado, quando Deus age, é extraordinário e sobrenatural.
A multiplicação dos pães revela a dinâmica do crescimento da Igreja: quando tudo parece organizado apenas segundo critérios humanos, é então que acontece o verdadeiro fracasso; mas quando tudo parece falir, ali Deus intervém com a sua graça. E essa é a lógica da Páscoa: pela Cruz se chega à Ressurreição. Quando tudo parece perdido, é aí que acontece a verdadeira vitória.
Façamos, pois, com generosidade o pouco que está ao nosso alcance, e Deus irá nos transformar com a sua graça, concedendo-nos uma vida que vem do alto.
Padre Paulo Ricardo
