
DIA 19 – SEGUNDA-FEIRA
2ª SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde – ofício do dia)
Toda a terra vos adore com respeito e proclame o louvor do vosso nome, ó Altíssimo (Sl 65,4).
A presença de Jesus é motivo de festa, de alegria, pois ele é o Messias, o Salvador. Bendigamos ao Senhor, que nos pede obediência à sua Palavra para que possa renovar nossa história e nos trazer a salvação.
Primeira Leitura: 1 Samuel 15,16-23
Leitura do primeiro livro de Samuel – Naqueles dias, 16Samuel disse a Saul: “Basta! Deixa-me dizer-te o que o Senhor me revelou esta noite”. Saul disse: “Fala!” 17Então Samuel começou: “Por menor que sejas aos teus próprios olhos, acaso não és o chefe das tribos de Israel? O Senhor ungiu-te rei sobre Israel 18e te enviou em expedição com a ordem de eliminar os amalecitas, esses malfeitores, combatendo-os até que fossem exterminados. 19Por que não ouviste a voz do Senhor, e te precipitaste sobre os despojos, e fizeste o que desagrada ao Senhor?” 20Saul respondeu a Samuel: “Mas eu obedeci ao Senhor! Realizei a expedição a que ele me enviou. Trouxe Agag, rei de Amalec, para cá e exterminei os amalecitas. 21Quanto aos despojos, o povo reteve, das ovelhas e dos bois, o melhor do que devia ser eliminado, para sacrificar ao Senhor teu Deus em Guilgal”. 22Mas Samuel replicou: “O Senhor quer holocaustos e sacrifícios ou quer a obediência à sua palavra? A obediência vale mais que o sacrifício, a docilidade mais que oferecer gordura de carneiros. 23A rebelião é um verdadeiro pecado de magia, um crime de idolatria, uma obstinação. Assim, porque rejeitaste a palavra do Senhor, ele te rejeitou: tu não és mais rei”. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 49(50)
A todo homem que procede retamente, / eu mostrarei a salvação que vem de Deus.
1. Eu não venho censurar teus sacrifícios, / pois sempre estão perante mim teus holocaustos; / não preciso dos novilhos de tua casa / nem dos carneiros que estão nos teus rebanhos. – R.
2. Como ousas repetir os meus preceitos / e trazer minha aliança em tua boca? / Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos / e deste as costas às palavras dos meus lábios! – R.
3. Diante disso que fizeste, eu calarei? / Acaso pensas que eu sou igual a ti? / É disso que te acuso e repreendo / e manifesto essas coisas aos teus olhos. – R.
4. Quem me oferece um sacrifício de louvor, / este, sim, é que me honra de verdade. / A todo homem que procede retamente, / eu mostrarei a salvação que vem de Deus. – R.
Evangelho: Marcos 2,18-22
Aleluia, aleluia, aleluia.
A Palavra do Senhor é viva e eficaz: / ela julga os pensamentos e as intenções do coração (Hb 4,12). – R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 18os discípulos de João Batista e os fariseus estavam jejuando. Então, vieram dizer a Jesus: “Por que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam, e os teus discípulos não jejuam?” 19Jesus respondeu: “Os convidados de um casamento poderiam, por acaso, fazer jejum, enquanto o noivo está com eles? Enquanto o noivo está com eles, os convidados não podem jejuar. 20Mas vai chegar o tempo em que o noivo será tirado do meio deles; aí, então, eles vão jejuar. 21Ninguém põe um remendo de pano novo numa roupa velha, porque o remendo novo repuxa o pano velho e o rasgão fica maior ainda. 22Ninguém põe vinho novo em odres velhos, porque o vinho novo arrebenta os odres velhos e o vinho e os odres se perdem. Por isso, vinho novo em odres novos”. – Palavra da salvação.
As palavras dos Papas
O Evangelho de Marcos, que constitui o fio condutor (…) deste ano litúrgico, oferece um itinerário catecumenal, que leva o discípulo a reconhecer em Jesus o Filho de Deus. (…) O trecho hodierno refere-se ao tema do jejum (…) narra-se que, enquanto Jesus se encontra à mesa na casa de Levi, o publicano, os fariseus e os seguidores de João Batista perguntam-lhe por que motivo os seus discípulos não jejuam como eles. Jesus responde que os convidados para as bodas não podem jejuar, enquanto o esposo estiver com eles; jejuarão quando o esposo for tirado do meio deles (cf. Mc 2, 18-20). Ao dizê-lo, Cristo revela a sua identidade de Messias, Esposo de Israel, vindo para as núpcias com o seu povo. Aqueles que O reconhecem e O acolhem com fé estão em festa. No entanto, Ele deverá ser rejeitado e morto precisamente pelos seus: naquele momento, durante a sua paixão e a sua morte, chegará a hora do luto e do jejum.
(Papa Bento XVI, Angelus de 26 de fevereiro de 2006)
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Meditação
A Eucaristia e a intimidade com Cristo
No Evangelho de hoje, os fariseus novamente causam uma polêmica perguntando por que os discípulos de João jejuavam, e os de Jesus não. Então, Nosso Senhor dá uma resposta surpreendente: “Os convidados de um casamento poderiam, por acaso, fazer jejum, enquanto o noivo está com eles?”.
Aqui, nos deparamos com a realidade do Cristo Esposo, no qual Deus e a humanidade, duas naturezas infinitamente distantes uma da outra, estão unidas. Poderíamos dizer que Jesus não é somente o Esposo: Ele é o casamento em si mesmo; Aquele que reúne em sua Pessoa o Céu e a terra.
E nós somos chamados a participar das núpcias de Cristo exatamente rompendo um jejum, por meio da Eucaristia. Ao comungarmos, enquanto a aparência de pão estiver em nossos estômagos e Jesus estiver tocando em nossas vísceras, existirá ali o contato entre o Corpo de Cristo e o nosso corpo, a Alma de Cristo e a nossa alma. Então, através da divina humanidade de Cristo, estaremos em uma profunda união com Deus.
Devemos sempre procurar refletir sobre o mistério da Eucaristia; o mistério da união do homem com Deus, para não cometermos o terrível erro de comungarmos mal, ou seja, de receber a comunhão sem nos darmos conta de quem nós recebemos e de que, naquele momento, precisamos ter uma relação de intimidade com Deus da mesma forma que uma esposa tem com o seu esposo. Afinal, não é possível comungar verdadeiramente sem dar atenção para Aquele que está unido à nossa alma.
É interessante que, na Santa Missa, o padre diz: “Felizes os convidados para a ceia do Senhor”. Que ceia seria essa? São as núpcias do Cordeiro; a festa de casamento em que iremos nos unir a Jesus, e Jesus se unir a nós. Portanto, a cada vez que formos receber o Santíssimo Corpo de Cristo, devemos nos recolher interiormente e dedicar o máximo de tempo a Nosso Senhor enquanto Ele sacramentalmente estiver presente nas espécies eucarísticas, ou seja, durante o tempo da digestão, até que as aparências do pão se desfaçam em nosso corpo. Isso permite com que sejamos mais íntimos de Nosso Senhor, nosso Esposo.
Assim, verdadeiramente, a comunhão será uma refeição espiritual, porque Cristo é o Pão dos fortes e será Aquele que irá nos revigorar, dando-nos forças para desenvolver a capacidade de amar. Assim, crescendo na fé, na esperança e na caridade, poderemos um dia chegar às núpcias definitivas e à festa das bodas do Cordeiro no Céu.
Padre Paulo Ricardo
