
DIA 16 – QUINTA-FEIRA
2ª SEMANA DA PÁSCOA
(branco – ofício do dia)
Ó Deus, quando saístes com o povo, caminhando à sua frente, habitando no meio deles, a terra estremeceu e orvalhou o próprio céu, aleluia (Sl 67,8s.20).
A experiência religiosa nasce da obediência ao Senhor, que nos envia a testemunhar e anunciar com coragem sua Palavra. Atentos àquele que nos fala das coisas do céu, celebremos com fé os sagrados mistérios!
Primeira Leitura: Atos 5,27-33
Leitura dos Atos dos Apóstolos – Naqueles dias, os guardas 27levaram os apóstolos e os apresentaram ao sinédrio. O sumo sacerdote começou a interrogá-los, 28dizendo: “Nós tínhamos proibido expressamente que vós ensinásseis em nome de Jesus. Apesar disso, enchestes a cidade de Jerusalém com a vossa doutrina. E ainda nos quereis tornar responsáveis pela morte desse homem!” 29Então Pedro e os outros apóstolos responderam: “É preciso obedecer a Deus antes que aos homens. 30O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz. 31Deus, por seu poder, o exaltou, tornando-o Guia supremo e Salvador, para dar ao povo de Israel a conversão e o perdão dos seus pecados. 32E disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem”. 33Quando ouviram isso, ficaram furiosos e queriam matá-los. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 33(34)
Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido.
1. Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, / seu louvor estará sempre em minha boca. / Provai e vede quão suave é o Senhor! / Feliz o homem que tem nele o seu refúgio! – R.
2. Mas ele volta a sua face contra os maus / para da terra apagar sua lembrança. / Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta / e de todas as angústias os liberta. – R.
3. Do coração atribulado ele está perto / e conforta os de espírito abatido. / Muitos males se abatem sobre os justos, / mas o Senhor de todos eles os liberta. – R.
Evangelho: João 3,31-36
Aleluia, aleluia, aleluia.
Acreditaste, Tomé, porque me viste. / Felizes os que creem sem ter visto (Jo 20,29). – R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – 31“Aquele que vem do alto está acima de todos. O que é da terra pertence à terra e fala das coisas da terra. Aquele que vem do céu está acima de todos. 32Dá testemunho daquilo que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. 33Quem aceita o seu testemunho atesta que Deus é verdadeiro. 34De fato, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque Deus lhe dá o Espírito sem medida. 35O Pai ama o Filho e entregou tudo em sua mão. 36Aquele que acredita no Filho possui a vida eterna. Aquele, porém, que rejeita o Filho não verá a vida, pois a ira de Deus permanece sobre ele”. – Palavra da salvação.
As palavras dos Papas
Então, isto significa que aquele juízo final já está em curso, que ele começa agora, durante a nossa existência. Este juízo é pronunciado em cada instante da vida, como referência do nosso acolhimento, com fé, da salvação presente e concreta em Cristo, ou então da nossa incredulidade, com o consequente fechamento em nós mesmos. Mas se nos fecharmos no amor de Jesus, condenamo-nos a nós mesmos. A salvação é abrir-se a Jesus, e Ele salva-nos; se somos pecadores — e todos somos — peçamos-lhe perdão; e se o procurarmos com o desejo de ser bons, o Senhor perdoa-nos. Mas por isso devemos abrir-nos ao amor de Jesus, que é mais forte que todas as outras coisas. O amor de Jesus é grande, o amor de Jesus é misericordioso, o amor de Jesus perdoa; mas tu deves abrir-te, e abrir-se significa arrepender-se, acusar-se das coisas que não são boas e que fizemos. O Senhor Jesus entregou-se e continua a doar-se a nós, para nos colmar com toda a sua misericórdia. (Papa Francisco, Audiência Geral de 11 de dezembro de 2013)
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Meditação
Como acontece o ato de fé?
O Evangelho de hoje é a conclusão do diálogo de Jesus com Nicodemos, no qual nos coloca diante do ponto-chave da nossa fé: Ele veio de Deus e nos dá testemunho daquilo que viu e ouviu junto do Pai.
Na realidade, São João apresenta nesse diálogo aquilo que já havia anunciado de forma lapidar no Prólogo: “Ninguém jamais viu a Deus, mas o Filho Unigênito, que está voltado para a intimidade do Pai, foi quem o deu a conhecer” (Jo 1, 18). Ou seja, Jesus atesta que viu Deus face a face e, por isso, fala com a autoridade do Senhor, e nós somos chamados a crer n’Ele.
Muitas pessoas, porém, não entendem em que consiste o ato de fé. Ele não nasce a partir de milagres — embora estes existam e Deus possa realizá-los —, pois são apenas um auxílio para uma fé ainda imperfeita. Também não se fundamenta em sentimentos interiores, em algo que simplesmente produz comoção. O ato de fé acontece quando cremos na Palavra de Cristo.
Pensemos na Eucaristia: o que vemos? Os olhos veem pão, a boca sente o gosto de pão, e o tato percebe a textura de pão. Contudo, ouvimos a Palavra: “Isto é o meu Corpo” e, mesmo que tudo pareça dizer o contrário, cremos no que escutamos.
Isso não se aplica apenas em relação aos sentidos exteriores, mas também aos interiores. Muitas vezes, ao comungar, não sentimos nada: nenhuma consolação, nenhum fervor; às vezes, estamos até distraídos ou entediados. Ainda assim, somos chamados a fazer um ato de fé: “Eu creio. Nada em mim atesta isso, nem os sentidos exteriores, nem os interiores; mas há uma Palavra que é veraz, e eu creio nela”.
Este é o ato de fé: crer na Palavra de Cristo, confiar que Ele não se engana nem pode nos enganar. Ele não se engana, porque é a Sabedoria encarnada e não pode errar; e porque, sendo infinitamente bom, não poderia nos iludir — pois Ele é a própria Verdade encarnada.
Assim, o ato de fé acontece quando a inteligência reconhece essa Verdade e a vontade a sustenta, dizendo: “É Ele quem fala, é Ele quem testemunha; logo, eu creio”. A vontade dá, então, firmeza à inteligência.
Neste Tempo Pascal, somos chamados a renovar, com fervor, o nosso ato de fé no Cristo Ressuscitado. Ele prometeu que ressuscitaria — e, de fato, ressuscitou —, não apenas para manifestar a sua glória, mas para nos conduzir, com Ele, à vida eterna. Creiamos, portanto, com total confiança, e deixemo-nos atrair por essa vida nova que já começou em nós, até que, um dia, participemos plenamente da sua glória no Céu.
Padre Paulo Ricardo
