
DIA 21 – QUARTA-FEIRA
29ª SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde – ofício do dia)
Eu vos chamo, ó meu Deus, porque me ouvis, inclinai o vosso ouvido e escutai-me! Protegei-me qual dos olhos a pupila e abrigai-me à sombra de vossas asas (SI 16,6.8).
Integrados ao corpo místico de Cristo, que é a Igreja, somos chamados a anunciar a insondável riqueza do seu mistério, pelo qual todos são associados à sua promessa de salvação. Celebrando esta Eucaristia, renovemos o propósito de administrar, com fidelidade e prudência, tudo o que ele nos confiou até sua volta gloriosa!
Primeira Leitura: Efésios 3,2-12
Leitura da carta de São Paulo aos Efésios – Irmãos, 2se ao menos soubésseis da graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito, 3como, por revelação, tive conhecimento do mistério, tal como o esbocei rapidamente. 4Ao ler-me, podeis conhecer a percepção que eu tenho do mistério de Cristo. 5Esse mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: 6os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo por meio do Evangelho. 7Disso eu fui feito ministro pelo dom da graça que Deus me concedeu no exercício do seu poder. 8Eu, que sou o último de todos os santos, recebi esta graça de anunciar aos pagãos a insondável riqueza de Cristo 9e de mostrar a todos como Deus realiza o mistério desde sempre escondido nele, o criador do universo. 10Assim, doravante, as autoridades e poderes nos céus conhecem, graças à Igreja, a multiforme sabedoria de Deus, 11de acordo com o desígnio eterno que ele executou em Jesus Cristo, nosso Senhor. 12Em Cristo nós temos, pela fé nele, a liberdade de nos aproximarmos de Deus com toda a confiança. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: Is 12
Com alegria bebereis do manancial da salvação.
1. Eis o Deus, meu salvador, eu confio e nada temo; † o Senhor é minha força, meu louvor e salvação. / Com alegria bebereis do manancial da salvação. – R.
2. E direis naquele dia: “Dai louvores ao Senhor, † invocai seu santo nome, anunciai suas maravilhas, / entre os povos proclamai que seu nome é o mais sublime. – R.
3. Louvai, cantando ao nosso Deus, / que fez prodígios e portentos, / publicai em toda a terra suas grandes maravilhas! / Exultai, cantando alegres, habitantes de Sião, / porque é grande em vosso meio o Deus santo de Israel!” – R.
Evangelho: Lucas 12,39-48
Aleluia, aleluia, aleluia.
Vigiai, diz Jesus, vigiai, / pois, no dia em que não esperais, o vosso Senhor há de vir (Mt 24,42.44). – R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 39“Ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa. 40Vós também ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes”. 41Então Pedro disse: “Senhor, tu contas esta parábola para nós ou para todos?” 42E o Senhor respondeu: “Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa para dar comida a todos na hora certa? 43Feliz o empregado que o patrão, ao chegar, encontrar agindo assim! 44Em verdade eu vos digo: o senhor lhe confiará a administração de todos os seus bens. 45Porém, se aquele empregado pensar: ‘Meu patrão está demorando’, e começar a espancar os criados e as criadas, e a comer, a beber e a embriagar-se, 46o senhor daquele empregado chegará num dia inesperado e numa hora imprevista, ele o partirá ao meio e o fará participar do destino dos infiéis. 47Aquele empregado que, conhecendo a vontade do senhor, nada preparou nem agiu conforme a sua vontade será chicoteado muitas vezes. 48Porém, o empregado que não conhecia essa vontade e fez coisas que merecem castigo será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!” – Palavra da salvação.
As palavras dos Papas
«A quem foi dado muito, muito será pedido; a quem foi confiado muito, muito mais será exigido». Jesus di-lo aos discípulos mais próximos, àqueles que mais estavam com Ele. E também nós recebemos muito do caminho percorrido até aqui, estivemos com Jesus e com a Igreja e, embora a Igreja seja uma comunidade com limites humanos, recebemos muito. Então, Jesus espera muito de nós! É um sinal de confiança, de amizade. Ele espera muito, porque nos conhece e sabe que podemos! Jesus veio trazer o fogo: o fogo do amor de Deus na terra e o fogo do desejo no nosso coração. De certa maneira, Jesus tira-nos a paz, se pensarmos na paz como calma inerte. No entanto, esta não é a verdadeira paz. Às vezes, gostaríamos de ser “deixados em paz”: que ninguém nos incomode, que os outros deixem de existir. Não é a paz de Deus. A paz que Jesus traz é como um fogo e exige muito de nós! Pede-nos, acima de tudo, que assumamos uma posição. Perante as injustiças, as desigualdades, onde a dignidade humana é espezinhada, onde os frágeis são privados da palavra: assumir uma posição. Esperar é assumir uma posição! Esperar é compreender no coração e mostrar nos acontecimentos que a realidade não deve continuar como antes. Também este é o fogo bom do Evangelho! (Papa Leão XIV, Audiência Geral de 22 de novembro de 2025)
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Meditação
A falta de amor e a podridão interior
No Evangelho de hoje, Jesus continua sua polêmica com os fariseus durante uma refeição na casa de um deles, repreendendo e expondo com clareza aquilo que precisava ser corrigido: “Ai de vós, fariseus, porque deixais de lado a justiça e o amor de Deus” (cf. Lc 11, 42). Ou seja, eles se preocupavam em observar as minúcias do dízimo da hortelã, buscavam a própria glória e gostavam de ocupar os primeiros lugares. No entanto, esqueciam-se daquilo que é principal: o amor de Deus.
Em seguida, Jesus apresenta uma comparação terrível: “Sois como túmulos que não se veem” (Lc 11, 44). Naquela época, os sepulcros eram pintados com cal para que as pessoas soubessem onde estavam. Com o passar do tempo, porém, essa marca desaparecia e eles deixavam de ser visíveis, sendo possível que alguém caminhasse sobre um corpo enterrado sem perceber. Portanto, Cristo nos mostra que, por trás da falta de amor a Deus, pode esconder-se dentro de nós um reino de morte e uma podridão mortífera.
Diante dessas palavras, todos nós deveríamos nos sentir interpelados. Muitas vezes, utilizamos a palavra “fariseu” apenas para acusar os outros; contudo, para compreender esta passagem, precisamos aplicá-la a nós mesmos. O farisaísmo manifesta-se exatamente nessa hipocrisia — hypokrites —, nessa máscara pela qual alguém demonstra exteriormente uma grande devoção, cumprindo minuciosamente determinadas práticas religiosas e, por esse motivo, sendo admirado pelos demais como um homem ou uma mulher de Deus. No entanto, por trás de todas essas aparências, pode estar faltando aquilo que é essencial: um coração que realmente ama.
É possível até mesmo ser padre e não amar a Deus, da mesma forma que é possível celebrar uma Missa inteira sem realizar um único ato de amor por Jesus. Nosso Senhor, pois, dirige esta advertência aos sacerdotes e também a cada um de nós: precisamos amá-lo. Somente a partir de um coração que coloca Deus acima de tudo e o ama também naquilo que Ele próprio nos ensina a amar é que poderemos prestar-lhe o culto que lhe é devido.
Jesus é um Deus de amor, mas isso não o impede de colocar o dedo em nossa ferida e, com uma ira divina, revelar o pecado que procuramos esconder. Ninguém gosta de ser desmascarado e ouvir: “Eu sei quem você é”, mas Cristo quer fazer isso conosco, batendo à porta de nosso coração e pedindo uma única coisa: “Ama-me”. E nós, com um passo decisivo, precisamos tomar a decisão de amá-lo de todo coração.
Por isso, peçamos perdão a Deus por todas as vezes em que o abandonamos, e tomemos a firme resolução de amá-lo com generosidade em todas as coisas e também no encontro com outras pessoas, reconhecendo nelas Jesus Cristo. Acima de tudo, precisamos amá-lo na Eucaristia, para que jamais participemos de uma Missa sem oferecer-lhe, de coração, o amor que Ele espera de nós.
Padre Paulo Ricardo
