
DIA 7 – SÁBADO
2ª SEMANA DA QUARESMA
(roxo – ofício do dia)
Misericórdia e piedade é o Senhor, ele é amor, é paciência, é compaixão. O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura (Sl 144,8s).
Nesta celebração, agradeçamos profundamente a bondade do Pai celeste, que, apesar das nossas culpas, nos acolhe com sua infinita misericórdia.
Primeira Leitura: Miqueias 7,14-15.18-20
Leitura da profecia de Miqueias – 14Apascenta o teu povo com o cajado da autoridade, o rebanho de tua propriedade, os habitantes dispersos pela mata e pelos campos cultivados; que eles desfrutem a terra de Basã e de Galaad, como nos velhos tempos. 15E, como foi nos dias em que nos fizeste sair do Egito, faze-nos ver novos prodígios. 18Qual Deus existe, como tu, que apagas a iniquidade e esqueces o pecado daqueles que são resto de tua propriedade? Ele não guarda rancor para sempre, o que ama é a misericórdia. 19Voltará a compadecer-se de nós, esquecerá nossas iniquidades e lançará ao fundo do mar todos os nossos pecados. 20Tu manterás fidelidade a Jacó e terás compaixão de Abraão, como juraste a nossos pais, desde tempos remotos. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 102(103)
O Senhor é indulgente e favorável.
1. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, / e todo o meu ser, seu santo nome! / Bendize, ó minha alma, ao Senhor, / não te esqueças de nenhum de seus favores! – R.
2. Pois ele te perdoa toda culpa / e cura toda a tua enfermidade; / da sepultura ele salva a tua vida / e te cerca de carinho e compaixão. – R.
3. Não fica sempre repetindo as suas queixas / nem guarda eternamente o seu rancor. / Não nos trata como exigem nossas faltas / nem nos pune em proporção às nossas culpas. – R.
4. Quanto os céus por sobre a terra se elevam, / tanto é grande o seu amor aos que o temem; / quanto dista o nascente do poente, / tanto afasta para longe nossos crimes. – R.
Evangelho: Lucas 15,1-3.11-32
Salve, ó Cristo, imagem do Pai, / a plena verdade nos comunicai!
Vou voltar e encontrar o meu pai e direi: / Meu pai, eu pequei contra o céu e contra ti (Lc 15,18). – R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, 1os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. 2Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus: “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. 3Então, Jesus contou-lhes esta parábola: 11“Um homem tinha dois filhos. 12O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. 13Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. 14Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar necessidade. 15Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. 16O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isso lhe davam. 17Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. 18Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti; 19já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’. 20Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos. 21O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. 22Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. 23Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. 24Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa. 25O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. 26Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. 27O criado respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’. 28Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. 29Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. 30Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’. 31Então o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. 32Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’”. – Palavra da salvação.
As palavras dos Papas
Em primeiro lugar, festejar, ou seja, manifestar a nossa proximidade a quem se arrepende ou está a caminho, a quem está em crise ou distante. Por que devemos agir assim? Porque isto ajudará a superar o medo e o desânimo que podem advir da recordação dos próprios pecados. Quem errou, sente-se muitas vezes censurado pelo próprio coração; distância, indiferença e palavras duras não ajudam. Portanto, segundo o Pai, é preciso oferecer-lhe um acolhimento caloroso, que encoraje a continuar. (…) Quanto bem pode fazer um coração aberto, uma escuta verdadeira, um sorriso transparente; festejar, não fazer sentir-se constrangido! O pai podia dizer: muito bem, filho, volta para casa, volta para o trabalho, volta para o teu quarto, instala-te e vai trabalhar! E isso teria sido um bom perdão. Mas não! Deus não sabe perdoar sem festejar! E o pai festeja, alegra-se porque o filho regressou. E depois, de acordo com o Pai, é preciso alegrar-se. Quem tem um coração sintonizado com Deus, quando vê o arrependimento de uma pessoa, por mais graves que tenham sido os seus erros, alegra-se. Não fica parado nos erros, não aponta o dedo contra o mal, mas alegra-se com o bem, pois o bem do outro é também meu! Quanto a nós, sabemos ver os outros assim? (Papa Francisco, Angelus de 27 de março de 2022)
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Meditação
O Pai misericordioso e seus dois filhos
Estamos na Quaresma e, sendo o primeiro sábado do mês, voltamos o nosso olhar com confiança para o Coração materno de Nossa Senhora, especialmente na devoção dos primeiros sábados, pedida por ela à Irmã Lúcia, vidente de Fátima. O Evangelho de hoje é o do filho pródigo, embora, no fundo, devesse ser chamado de “Evangelho do pai misericordioso”, pois o pai é o verdadeiro protagonista da parábola.
Jesus inicia dizendo: “Um pai tinha dois filhos”, e toda a narrativa gira em torno da atitude desses dois filhos diante do pai bondoso. Ambos, de modos diferentes, ofendem-no, mas o pai não desiste de nenhum deles.
O filho mais novo peca de forma evidente: trata o pai como se estivesse morto, pede a herança e parte para uma terra distante, onde desperdiça todos os seus bens. A liberdade que buscava revela-se, na verdade, uma escravidão — realidade comum a quem vive no pecado.
Muitas vezes, porém, essas pessoas acabam se convertendo mais facilmente, pois Deus lhes fala através das desgraças e sofrimentos que as fazem cair em si e reconhecer que aquela vida as está destruindo. Assim, como o filho pródigo, decidem voltar: “Vou voltar para meu pai e dizer-lhe: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho’.”.
Já o filho mais velho também precisa de conversão. Embora permaneça em casa e aparentemente cumpra a vontade do pai, seu coração não está verdadeiramente unido a ele, representando aqueles que levam uma vida religiosa exteriormente correta, sem grandes pecados visíveis, mas que servem a Deus como se fosse uma obrigação pesada, marcada por ingratidão.
Ao reclamar, portanto, que nunca recebeu nada para festejar com os amigos, ele revelou não perceber que já possuía tudo: a comunhão com o pai. Por isso, seu pai responde com espanto: “Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu” (cf. Lc 15, 31), mostrando que o problema não está na ausência de bens, mas na ausência de amor filial.
Assim, ambos os filhos se veem, de alguma forma, como escravos. O mais novo foge de uma suposta escravidão e acaba descobrindo uma situação pior; o mais velho permanece em casa, mas não enxerga a mentalidade tacanha que carrega dentro de si.
Nesta Quaresma, pois, somos chamados a pedir a intercessão de Nossa Senhora, Mãe que nos ensina a compreender o amor do Pai. Ela nos ajuda a descobrir que servir a Deus não é escravidão, mas alegria e realeza — como expressa a antiga máxima: “Servire Deo regnare est”, “Servir a Deus é reinar”. O próprio filho pródigo reconhece que até os servos de seu pai viviam melhor do que ele longe da casa paterna.
Peçamos também a São José e aos santos anjos que nos inspirem interiormente, para que reconheçamos o amor com que fomos amados e a felicidade de poder servir a Deus com gratidão. Porque para isso fomos criados e para isso existe um Céu preparado para nós.
Padre Paulo Ricardo
