
DIA 20 – TERÇA-FEIRA
29ª SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde – ofício do dia)
Eu vos chamo, ó meu Deus, porque me ouvis, inclinai o vosso ouvido e escutai-me! Protegei-me qual dos olhos a pupila e abrigai-me à sombra de vossas asas (SI 16,6.8).
Na nova comunidade edificada pelo sangue de Cristo, todos somos concidadãos dos santos e integrados à família de Deus, graças à ação do Espírito Santo. Convictos dessa feliz realidade, aguardemos vigilantes a vinda gloriosa do Senhor, participando do seu Corpo e Sangue nesta Eucaristia!
Primeira Leitura: Efésios 2,12-22
Leitura da carta de São Paulo aos Efésios – Irmãos, 12naquele tempo, éreis sem Messias, privados de cidadania em Israel, estranhos às alianças da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo. 13Mas agora, em Jesus Cristo, vós, que outrora estáveis longe, vos tornastes próximos pelo sangue de Cristo. 14Ele, de fato, é a nossa paz: do que era dividido, ele fez uma unidade. Em sua carne ele destruiu o muro de separação: a inimizade. 15Ele aboliu a Lei com seus mandamentos e decretos. Ele quis, assim, a partir do judeu e do pagão, criar em si um só homem novo, estabelecendo a paz. 16Quis reconciliá-los com Deus, ambos em um só corpo, por meio da cruz; assim ele destruiu em si mesmo a inimizade. 17Ele veio anunciar a paz a vós, que estáveis longe, e a paz aos que estavam próximos. 18É graças a ele que uns e outros, em um só Espírito, temos acesso junto ao Pai. 19Assim, já não sois mais estrangeiros nem migrantes, mas concidadãos dos santos. Sois da família de Deus. 20Vós fostes integrados no edifício que tem como fundamento os apóstolos e os profetas, e o próprio Jesus Cristo como pedra principal. 21É nele que toda construção se ajusta e se eleva para formar um templo santo no Senhor. 22E vós também sois integrados nessa construção, para vos tornardes morada de Deus pelo Espírito. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 84(85)
O Senhor anunciará a paz para o seu povo.
1. Quero ouvir o que o Senhor irá falar: / é a paz que ele vai anunciar; / está perto a salvação dos que o temem, / e a glória habitará em nossa terra. – R.
2. A verdade e o amor se encontrarão, / a justiça e a paz se abraçarão; / da terra brotará a fidelidade, / e a justiça olhará dos altos céus. – R.
3. O Senhor nos dará tudo o que é bom, / e a nossa terra nos dará suas colheitas; / a justiça andará na sua frente / e a salvação há de seguir os passos seus. – R.
Evangelho: Lucas 12,35-38
Aleluia, aleluia, aleluia.
Vigiai e orai para ficardes de pé / ante o Filho do Homem! (Lc 21,36) – R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 35“Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. 36Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento para lhe abrirem imediatamente a porta, logo que ele chegar e bater. 37Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade eu vos digo, ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar-se à mesa e, passando, os servirá. 38E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão se assim os encontrar!” – Palavra da salvação.
As palavras dos Papas
Jesus diz: «Estejam cingidos os vossos rins e acesas as vossas lâmpadas» (Lc 12, 35). Significa viver plenamente o presente, divisando nele a promessa de eternidade. Toda a nossa vida consiste em tender para a vida eterna e devemos estar preparados. Uma pessoa está pronta quando se entrega completamente a Deus e aos irmãos. Não quando chegam aplausos e sucesso, não, a vida é muito mais do que isto! É estar no mundo em plenitude, na verdade e na liberdade dos filhos de Deus e na relação de fraternidade com os demais. E esta intensidade de relação com o Pai e com os irmãos e irmãs é alimentada pela oração: a oração permite que Deus esteja próximo de nós, liberta-nos da solidão e infunde esperança. A oração oxigena a vida: assim como não se pode viver sem respirar, também não se pode ser cristão nem viver como cristão (…) sem oração. (Papa Francisco, Discurso aos membros do Instituto Secular Oblatas Missionárias da Imaculada, 20 de novembro de 2021)
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Meditação
A epidemia da ganância e a sua cura
No Evangelho de hoje, Jesus nos adverte a respeito da ganância — a qual, no original grego, é chamada de pleonexia, termo que expressa o desejo de possuir e acumular bens em grande quantidade.
Mas por que Nosso Senhor nos alerta para esse problema? Na realidade, trata-se de compreender a razão pela qual vivemos. Esse Evangelho é particularmente adequado à sociedade atual, uma vez que, há cerca de trezentos anos, a humanidade passou a viver cada vez mais voltada para a busca do lucro e para o desejo de possuir sempre mais. Evidentemente, a ganância já existia antes, mas não nas proporções que vemos hoje. Se, no passado, ela constituía o problema de alguns indivíduos, atualmente tornou-se uma espécie de epidemia, em uma sociedade cuja vida gira, em grande medida, ao redor do dinheiro.
Ao observarmos a história econômica da humanidade, percebemos que durante séculos, desde os tempos dos assírios, dos babilônios e do Egito Antigo, a produção e a renda per capita mundial oscilaram, mas permaneceram aproximadamente no mesmo patamar. Nos últimos trezentos anos, porém, sobretudo a partir da Revolução Industrial, o desenvolvimento do sistema econômico e financeiro ampliou extraordinariamente a capacidade de produção. Com isso, o trabalho e a busca pelo dinheiro passaram a ocupar um espaço cada vez maior na vida das pessoas.
Nesse contexto, outros bens passaram a ser relativizados. A família tende a deixar de ser um valor fundamental, o descanso perde sua importância, e até mesmo a própria saúde pode ser colocada em segundo plano. O homem passa, assim, a gastar-se continuamente para possuir sempre mais, acumulando bens como se esse fosse o fim último de sua existência.
Diante dessa realidade, a advertência feita por Jesus ao homem rico da parábola ganha especial força: “Louco! Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?” (Lc 12, 20). Antes, essa advertência parecia dirigir-se somente àquelas poucas pessoas dominadas pela avareza; hoje, ela ressoa para uma sociedade marcada pela ganância e pela busca incessante do acúmulo de bens, fazendo-a esquecer a verdadeira finalidade de sua peregrinação terrena.
Jesus, então, apresenta-nos a cura. Por meio da parábola do homem rico que acumulou sua riqueza em celeiros e, inesperadamente, vê-se diante da morte, Ele nos ensina que uma das maneiras de recolocar a vida em seu devido eixo é refletir sobre a própria morte. Eis um remédio espiritual que a Igreja aprendeu com Cristo e que os Santos Padres apresentaram ao longo dos séculos.
Quando alguém sofre de avareza ou de ganância, deve recordar-se de que um dia morrerá. Diante da morte, torna-se evidente quão pequeno é o valor do dinheiro quando comparado aos bens eternos. Algumas pessoas experimentam isso de maneira particularmente concreta quando, por alguma circunstância, entram em contato mais próximo com a morte.
Vivemos em um mundo que procura afastar de nós essa realidade. No entanto, chega o momento em que nos deparamos com ela: pela morte de um familiar, por um desastre do qual participamos ou por alguma outra circunstância que nos lembra sobre a fragilidade da vida. Desse modo, compreendemos que o dinheiro, por maior que seja, não pode comprar a vida e, sobretudo, não pode comprar a vida eterna.
Na parábola de hoje, Jesus deseja colocar-nos novamente no caminho correto e lembrar-nos do verdadeiro objetivo de nossa existência: Deus. Não estamos neste mundo para acumular riquezas e sermos gananciosos, mas para nos ajudar mutuamente a chegar, um dia, ao Céu. Portanto, mantenhamos os olhos voltados para esse fim e ordenemos a nossa vida segundo aquilo que realmente importa, certos de que é no Senhor, e não nas coisas deste mundo, que se encontra o nosso destino definitivo.
Padre Paulo Ricardo
