DIA 14 – QUARTA-FEIRA
28ª SEMANA DO TEMPO COMUM*
(verde – ofício do dia)
Se levardes em conta, Senhor, nossas faltas, quem haverá de subsistir? Mas em vós se encontra o perdão (SI 129,3s).
Ser verdadeira Igreja, segundo Cristo, é viver pelo Espírito Santo. Por isso, Jesus condena severamente a falsa religiosidade, que nasce da mentira, do contratestemunho e das injustiças. Ao redor do altar, abramos nosso coração e nos disponhamos a proceder segundo o Espírito do Senhor, que habita em nós!
Primeira Leitura: Gálatas 5,18-25
Leitura da carta de São Paulo aos Gálatas – Irmãos, 18se sois conduzidos pelo Espírito, então não estais sob o jugo da Lei. 19São bem conhecidas as obras da carne: fornicação, libertinagem, devassidão, 20idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, ciúmes, iras, intrigas, discórdias, facções, 21invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a essas. Eu vos previno, como, aliás, já o fiz: os que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus. 22Porém, o fruto do Espírito é: caridade, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, lealdade, 23mansidão, continência. Contra essas coisas não existe lei. 24Os que pertencem a Jesus Cristo crucificaram a carne com suas paixões e seus maus desejos. 25Se vivemos pelo Espírito, procedamos também segundo o Espírito, corretamente. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 1
Senhor, quem vos seguir terá a luz da vida!
1. Feliz é todo aquele que não anda / conforme os conselhos dos perversos; / que não entra no caminho dos malvados / nem junto aos zombadores vai sentar-se; / mas encontra seu prazer na lei de Deus / e a medita, dia e noite, sem cessar. – R.
2. Eis que ele é semelhante a uma árvore / que à beira da torrente está plantada; / ela sempre dá seus frutos a seu tempo, † e jamais as suas folhas vão murchar. / Eis que tudo o que ele faz vai prosperar. – R.
3. Mas bem outra é a sorte dos perversos. † Ao contrário, são iguais à palha seca / espalhada e dispersada pelo vento. / Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, / mas a estrada dos malvados leva à morte. – R.
Evangelho: Lucas 11,42-46
Aleluia, aleluia, aleluia.
Minhas ovelhas escutam minha voz, / eu as conheço e elas me seguem (Jo 10,27). – R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, disse o Senhor: 42“Ai de vós, fariseus, porque pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as outras ervas, mas deixais de lado a justiça e o amor de Deus. Vós deveríeis praticar isso, sem deixar de lado aquilo. 43Ai de vós, fariseus, porque gostais do lugar de honra nas sinagogas e de serdes cumprimentados nas praças públicas. 44Ai de vós, porque sois como túmulos que não se veem, sobre os quais os homens andam sem saber”. 45Um mestre da Lei tomou a palavra e disse: “Mestre, falando assim, insultas-nos também a nós!” 46Jesus respondeu: “Ai de vós também, mestres da Lei, porque colocais sobre os homens cargas insuportáveis, e vós mesmos não tocais nessas cargas nem com um só dedo”. – Palavra da salvação.
As palavras dos Papas
Essas pessoas, que eram “ideológicas” mais do que “dogmáticas”, “ideológicas”, reduziam a Lei, o dogma, a uma ideologia: “Deve-se fazer isto, isso e aquilo”… Uma religião de prescrições, e com isto tiravam a liberdade do Espírito. E as pessoas que os seguiam eram rígidas, pessoas que não se sentiam à-vontade, que não conheciam a alegria do Evangelho. A perfeição do caminho para seguir Jesus era a rigidez: “Há que fazer isto, isso, aquilo…”. Essas pessoas, esses doutores “manipulavam” as consciências dos fiéis, e ou tornavam-se rígidos… ou iam embora. (…) Onde há rigidez, não há Espírito de Deus, porque o Espírito de Deus é liberdade. E essas pessoas queriam dar passos, tirando a liberdade do Espírito de Deus e a gratuidade da redenção: “Para seres justificado, deves fazer isto, isso e aquilo…”. A justificação é gratuita. A morte e a ressurreição de Cristo são gratuitas. Não se pagam, não se compram: são um dom! (Papa Francisco, Homilia na Capela da Casa Santa Marta, 15 de maio de 2020)
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Meditação
A falta de amor e a podridão interior
No Evangelho de hoje, Jesus continua sua polêmica com os fariseus durante uma refeição na casa de um deles, repreendendo e expondo com clareza aquilo que precisava ser corrigido: “Ai de vós, fariseus, porque deixais de lado a justiça e o amor de Deus” (cf. Lc 11, 42). Ou seja, eles se preocupavam em observar as minúcias do dízimo da hortelã, buscavam a própria glória e gostavam de ocupar os primeiros lugares. No entanto, esqueciam-se daquilo que é principal: o amor de Deus.
Em seguida, Jesus apresenta uma comparação terrível: “Sois como túmulos que não se veem” (Lc 11, 44). Naquela época, os sepulcros eram pintados com cal para que as pessoas soubessem onde estavam. Com o passar do tempo, porém, essa marca desaparecia e eles deixavam de ser visíveis, sendo possível que alguém caminhasse sobre um corpo enterrado sem perceber. Portanto, Cristo nos mostra que, por trás da falta de amor a Deus, pode esconder-se dentro de nós um reino de morte e uma podridão mortífera.
Diante dessas palavras, todos nós deveríamos nos sentir interpelados. Muitas vezes, utilizamos a palavra “fariseu” apenas para acusar os outros; contudo, para compreender esta passagem, precisamos aplicá-la a nós mesmos. O farisaísmo manifesta-se exatamente nessa hipocrisia — hypokrites —, nessa máscara pela qual alguém demonstra exteriormente uma grande devoção, cumprindo minuciosamente determinadas práticas religiosas e, por esse motivo, sendo admirado pelos demais como um homem ou uma mulher de Deus. No entanto, por trás de todas essas aparências, pode estar faltando aquilo que é essencial: um coração que realmente ama.
É possível até mesmo ser padre e não amar a Deus, da mesma forma que é possível celebrar uma Missa inteira sem realizar um único ato de amor por Jesus. Nosso Senhor, pois, dirige esta advertência aos sacerdotes e também a cada um de nós: precisamos amá-lo. Somente a partir de um coração que coloca Deus acima de tudo e o ama também naquilo que Ele próprio nos ensina a amar é que poderemos prestar-lhe o culto que lhe é devido.
Jesus é um Deus de amor, mas isso não o impede de colocar o dedo em nossa ferida e, com uma ira divina, revelar o pecado que procuramos esconder. Ninguém gosta de ser desmascarado e ouvir: “Eu sei quem você é”, mas Cristo quer fazer isso conosco, batendo à porta de nosso coração e pedindo uma única coisa: “Ama-me”. E nós, com um passo decisivo, precisamos tomar a decisão de amá-lo de todo coração.
Por isso, peçamos perdão a Deus por todas as vezes em que o abandonamos, e tomemos a firme resolução de amá-lo com generosidade em todas as coisas e também no encontro com outras pessoas, reconhecendo nelas Jesus Cristo. Acima de tudo, precisamos amá-lo na Eucaristia, para que jamais participemos de uma Missa sem oferecer-lhe, de coração, o amor que Ele espera de nós.
Padre Paulo Ricardo
