DIA 6 – SEGUNDA-FEIRA
OITAVA DA PÁSCOA
(branco, glória, seq. facultativa, pref. da Páscoa I [“neste dia”] – ofício próprio)
O Senhor vos introduziu na terra onde corre leite e mel; a lei do Senhor esteja sempre em vossa boca, aleluia (Ex 13,5.9).
Celebrando o Cristo ressuscitado, que se revela a quem está aberto ao amor e à fé, disponhamos o coração para a fecunda experiência de sua presença na Palavra e na Eucaristia.
Primeira Leitura: Atos 2,14.22-32
Leitura dos Atos dos Apóstolos – No dia de Pentecostes, 14Pedro, de pé, junto com os onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão: 22“Homens de Israel, escutai estas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus, junto de vós, pelos milagres, prodígios e sinais que Deus realizou, por meio dele, entre vós. Tudo isso vós bem o sabeis. 23Deus, em seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue pelas mãos dos ímpios, e vós o matastes, pregando-o numa cruz. 24Mas Deus ressuscitou a Jesus, libertando-o das angústias da morte, porque não era possível que ela o dominasse. 25Pois Davi dele diz: ‘Eu via sempre o Senhor diante de mim, pois está à minha direita para eu não vacilar. 26Alegrou-se por isso meu coração e exultou minha língua, e até minha carne repousará na esperança. 27Porque não deixarás minha alma na região dos mortos nem permitirás que teu Santo experimente corrupção. 28Deste-me a conhecer os caminhos da vida, e a tua presença me encherá de alegria’. 29Irmãos, seja-me permitido dizer com franqueza que o patriarca Davi morreu e foi sepultado, e seu sepulcro está entre nós até hoje. 30Mas, sendo profeta, sabia que Deus lhe jurara solenemente que um de seus descendentes ocuparia o trono. 31É, portanto, a ressurreição de Cristo que previu e anunciou com as palavras: ‘Ele não foi abandonado na região dos mortos e sua carne não conheceu a corrupção’. 32Com efeito, Deus ressuscitou esse mesmo Jesus e disso todos nós somos testemunhas”. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 15(16)
Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!
1. Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio! / Digo ao Senhor: somente vós sois meu Senhor; / ó Senhor, sois minha herança e minha taça, / meu destino está seguro em vossas mãos! – R.
2. Eu bendigo o Senhor, que me aconselha / e até de noite me adverte o coração. / Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, / pois, se o tenho a meu lado, não vacilo. – R.
3. Eis por que meu coração está em festa, † minha alma rejubila de alegria / e até meu corpo no repouso está tranquilo; / pois não haveis de me deixar entregue à morte / nem vosso amigo conhecer a corrupção. – R.
4. Vós me ensinais vosso caminho para a vida; † junto a vós, felicidade sem limites, / delícia eterna e alegria ao vosso lado! – R.
Evangelho: Mateus 28,8-15
Aleluia, aleluia, aleluia.
Este é o dia que o Senhor fez para nós, / alegremo-nos e nele exultemos! (Sl 117,24). – R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, 8as mulheres partiram depressa do sepulcro. Estavam com medo, mas correram com grande alegria para dar a notícia aos discípulos. 9De repente, Jesus foi ao encontro delas e disse: “Alegrai-vos!” As mulheres aproximaram-se e prostraram-se diante de Jesus, abraçando seus pés. 10Então Jesus disse a elas: “Não tenhais medo. Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão”. 11Quando as mulheres partiram, alguns guardas do túmulo foram à cidade e comunicaram aos sumos sacerdotes tudo o que havia acontecido. 12Os sumos sacerdotes reuniram-se com os anciãos, e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, 13dizendo-lhes: “Dizei que os discípulos dele foram durante a noite e roubaram o corpo enquanto vós dormíeis. 14Se o governador ficar sabendo disso, nós o convenceremos. Não vos preocupeis”. 15Os soldados pegaram o dinheiro e agiram de acordo com as instruções recebidas. E assim, o boato espalhou-se entre os judeus até o dia de hoje. – Palavra da salvação.
As palavras dos Papas
Segundo a Lei judaica daquela época, as mulheres e as crianças não podiam dar um testemunho confiável, credível. Nos Evangelhos, ao contrário, as mulheres desempenham um papel primário, fundamental. Aqui podemos entrever um elemento a favor da historicidade da Ressurreição: se fosse um episódio inventado, no contexto daquele tempo não estaria vinculado ao testemunho das mulheres. Os evangelistas, ao contrário, narram simplesmente o que aconteceu: as primeiras testemunhas são as mulheres. Isto diz que Deus não escolhe segundo os critérios humanos: as primeiras testemunhas do nascimento de Jesus são os pastores, pessoas simples e humildes; as primeiras testemunhas da Ressurreição são as mulheres. E isto é bonito. Esta é um pouco a missão das mulheres: mães e mulheres! Dar testemunho aos filhos e aos pequenos netos, de que Jesus está vivo, é o Vivente, ressuscitou. Mães e mulheres, ide em frente com este testemunho! Para Deus o que conta é o coração, quanto estamos abertos a Ele, se somos filhos que confiam. Mas isto leva-nos a meditar inclusive sobre o modo como as mulheres, na Igreja e no caminho de fé, tiveram e ainda hoje desempenham um papel especial na abertura das portas ao Senhor, no seu seguimento e na comunicação do seu Rosto, pois o olhar de fé tem sempre necessidade do olhar simples e profundo do amor. (Papa Francisco, Audiência Geral de 3 de abril de 2013)
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Meditação
Quatro virtudes para viver bem a Semana Santa
Iniciamos hoje a grande Semana Santa e, nesta segunda-feira, a Igreja nos apresenta o Evangelho da unção de Jesus em Betânia, começando com uma indicação muito importante: “Seis dias antes da Páscoa” (Jo 12, 1). Estamos, portanto, aproximando-nos da Páscoa judaica, quando os cordeiros seriam oferecidos no Templo de Jerusalém. É nesse contexto, então, que Maria, irmã de Marta e de Lázaro, unge Jesus com um perfume precioso.
Antes de meditarmos sobre o significado desse gesto, é importante esclarecermos uma questão: os Evangelhos de Mateus e Marcos também narram uma unção semelhante, realizada na casa de Simão, o leproso. À primeira vista, parece tratar-se de acontecimentos diferentes. No entanto, Santo Tomás de Aquino, seguindo Orígenes e Santo Agostinho, ensina que é o mesmo episódio.
Isso porque nada impede que Simão, chamado “o leproso”, fosse o dono da casa — possivelmente já curado — e que ali também vivessem Lázaro, Marta e Maria. Assim, trata-se do mesmo lugar. A diferença de datas — dois dias antes da Páscoa em Mateus e Marcos, e seis dias em João — é explicada pelo fato de que São João segue uma cronologia mais precisa, enquanto os Evangelhos sinóticos apresentam uma sequência mais resumida.
Outra diferença está no modo da unção: os sinóticos falam da cabeça de Jesus, enquanto São João destaca os pés. Mas isso não é uma divergência; pelo contrário, a Tradição entende que ambas as coisas aconteceram: Maria ungiu tanto a cabeça quanto os pés do Senhor, mas cada Evangelho enfatizou uma das partes. E, aqui, encontramos um sentido profundo: a cabeça simboliza a divindade de Cristo; e os pés, a sua humanidade, indicando que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
A partir disso, Santo Tomás faz uma bela interpretação espiritual. Primeiro, o Evangelho diz que Maria usa um perfume precioso, quase meio litro de bálsamo. Esse gesto representa a misericórdia e a compaixão, virtudes que somos chamados a viver no início da Semana Santa: compadecer-nos de Cristo e entrar no mistério do seu sofrimento com o coração sensível ao seu amor.
Depois, é mostrado que o perfume é de nardo, uma planta simples, simbolizando assim a humildade. Ou seja, devemos nos aproximar de Cristo com um coração humilde, reconhecendo nossa pequenez diante de tão grande mistério. Além disso, o Evangelho diz que o perfume era de nardo puro — remetendo à fé pura — e muito caro — simbolizando a caridade, o amor que não mede esforços.
Assim, somos convidados a entrar na Semana Santa armados de compaixão, para sofrermos com Cristo; humildade, para não cairmos na soberba; fé pura, para crermos verdadeiramente; e caridade ardente, para amarmos sem reservas. Como nos recorda a Carta aos Filipenses, somos chamados a ter os mesmos sentimentos de Cristo (cf. Fl 2, 5). Ele vai padecer — e nós devemos nos compadecer, vigiando o nosso coração contra a tentação de julgar os outros ou até mesmo Deus, e permanecendo humildes diante d’Ele.
Portanto, neste tempo favorável em que Deus nos visita, peçamos a Ele a graça de estarmos prontos para acolhê-lo com um coração aberto e sincero, permitindo que a sua presença nos transforme e nos conduza a uma vida nova, marcada pela fé, pela humildade e pelo amor.
Padre Paulo Ricardo
