DIA 12 – SEGUNDA-FEIRA
1ª SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde – ofício do dia)
Vi um homem sentado num trono excelso; a multidão dos anjos o adora, cantando a uma só voz: Eis aquele cujo nome e império permanecem eternamente.
Especialmente aos que vivem na aflição e no sofrimento, a Palavra de Deus traz o anúncio da proximidade do Reino. O próprio Cristo exorta-nos a viver em contínua fidelidade ao seu Evangelho, o qual revela a verdade fundamental da vida do cristão.
Primeira Leitura: 1 Samuel 1,1-8
Início do primeiro livro de Samuel – 1Havia um homem sufita, oriundo de Ramá, no monte Efraim, que se chamava Elcana, filho de Jeroam, filho de Eliú, filho de Tou, filho de Suf, efraimita. 2Elcana tinha duas mulheres: uma chamava-se Ana e a outra Fenena. Fenena tinha filhos; Ana, porém, não tinha. 3Todos os anos, esse homem subia da sua cidade para adorar e oferecer sacrifícios ao Senhor todo-poderoso em Silo. Os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias, eram sacerdotes do Senhor naquele santuário. 4Quando oferecia sacrifício, Elcana dava à sua mulher Fenena e a todos os seus filhos e filhas as porções que lhes cabiam. 5A Ana, embora a amasse, dava apenas uma porção escolhida, pois o Senhor a tinha deixado estéril. 6Sua rival também a magoava e atormentava, humilhando-a pelo fato de o Senhor a ter tornado estéril. 7E isso acontecia todos os anos. Sempre que subiam à casa do Senhor, ela a provocava do mesmo modo. E Ana chorava e não comia. 8Então, Elcana, seu marido, lhe disse: “Ana, por que estás chorando e não te alimentas? E por que se aflige o teu coração? Acaso não sou eu melhor para ti do que dez filhos?” – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 115(116)
Oferto ao Senhor um sacrifício de louvor.
1. Que poderei retribuir ao Senhor Deus / por tudo aquilo que ele fez em meu favor? / Elevo o cálice da minha salvação, / invocando o nome santo do Senhor. – R.
2. Vou cumprir minhas promessas ao Senhor / na presença de seu povo reunido. / Por isso oferto um sacrifício de louvor, / invocando o nome santo do Senhor. – R.
3. Vou cumprir minhas promessas ao Senhor / na presença de seu povo reunido; / nos átrios da casa do Senhor, / em teu meio, ó cidade de Sião! – R.
Evangelho: Marcos 1,14-20
Aleluia, aleluia, aleluia.
Convertei-vos e crede no Evangelho, / pois o Reino de Deus está chegando! (Mc 1,15) – R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – 14Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: 15“O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!” 16E, passando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. 17Jesus lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”. 18E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus. 19Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; 20e logo os chamou. Eles deixaram seu pai, Zebedeu, na barca com os empregados e partiram, seguindo Jesus. – Palavra da salvação.
As palavras dos Papas
Neste texto do evangelista Marcos, o tempo deve ser entendido como a duração da história da salvação realizada por Deus; portanto, o tempo “cumprido” é aquele em que esta ação salvífica atinge o seu ápice, a plena realização: é o momento histórico em que Deus enviou o seu Filho ao mundo e o seu Reino se tornou mais “próximo” do que nunca. O tempo da salvação cumpriu-se porque veio Jesus. Contudo, a salvação não é automática; a salvação é um dom de amor e, como tal, oferecido à liberdade humana. Quando falamos de amor, falamos sempre de liberdade: um amor sem liberdade não é amor; pode ser interesse, pode ser receio, muitas coisas, mas o amor é sempre livre, e sendo livre requer uma resposta livre: exige a nossa conversão. Ou seja, trata-se de mudar a nossa mentalidade – nisto consiste a conversão, mudar a mentalidade – e mudar a nossa vida: já não seguindo os modelos do mundo, mas os de Deus, que é Jesus, seguindo Jesus, como Jesus fez e como Jesus nos ensinou. (Papa Francisco, Angelus de 21 de janeiro de 2021)
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Meditação
O que significa converter-se?
Iniciamos hoje a caminhada do Tempo Comum — tempo em que, após a Festa do Batismo do Senhor, a Igreja quer nos acompanhar em nossa vida de santificação ordinária. No Evangelho de hoje, vemos o início da pregação de Jesus, segundo o Evangelho de São Marcos, em que Nosso Senhor é apresentado como Aquele que vem no tempo favorável, no kairós.
Deus, ao longo dos séculos, foi preparando tudo para esse kairós. Por isso, Jesus afirma: “O Reino de Deus está próximo, convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 15). No grego original, essa conversão é expressa pela palavra metanoia (μετάνοια), que significa “mudança de mentalidade”. Portanto, Jesus está nos dizendo: agora é o tempo propício de colhermos o fruto maduro de nossas vidas, começando a pensar de uma forma diferente e mudando completamente nossas ideias, sentimentos e ações que não agradam a Deus. Eis o que é a conversão.
Quando essa transformação interior ocorre em nós, as pessoas notam uma diferença, e provavelmente as pessoas com quem mais andávamos não irão nos reconhecer, podendo até nos abandonar. De fato, a conversão tem um preço alto, e é aqui que surge o problema: muitos não se dão conta de que uma mudança de vida tem repercussões sociológicas, externas e visíveis, e que, portanto, devem estar dispostos a encarar essas consequências.
No Evangelho de hoje, vemos a verdadeira conversão acontecer quando Jesus chama Simão e André, e eles deixam tudo para segui-lo (cf. Mc 1, 17-18) . Devemos também, como esses dois Apóstolos, enxergar que não nos pertencemos e reconhecer que não é neste mundo que encontraremos aquilo que realmente nos sustenta e nos dá a vida, mas apenas em Nosso Senhor Jesus Cristo.
Pode parecer doloroso inicialmente, mas depois perceberemos como é libertador e grandioso compreender a nossa profunda irrelevância. Desse modo, seguindo Jesus, nós encontramos o Reino do Deus eterno, que nunca irá se acabar e no qual se encontra a finalidade e a suprema alegria de nossas vidas: Jesus Cristo, o nosso Único Necessário.
Padre Paulo Ricardo
