DIA 11 – TERÇA-FEIRA
SANTA CLARA, VIRGEM
(branco, pref. comum, ou das virgens – ofício da memória)
Por causa do amor ao meu Senhor Jesus Cristo, a quem vi, a quem amei, em quem acreditei, a quem preferi, o reino do mundo desprezei e todas as suas vaidades.
Clara (Itália, 1193-1253), de família nobre e cristã, aos 18 anos deixou o mundo para seguir o Cristo pobre. Abraçou o estilo de vida de São Francisco de Assis, com o qual fundou a Ordem das Clarissas. Transformou em apostolado do sofrimento seus longos anos de enfermidade. A seu exemplo, busquemos trilhar o caminho da docilidade aos planos de Deus e da humildade dos que se fazem pequenos por amor ao Reino dos Céus.
Primeira Leitura: Ezequiel 2,8-3,4
Leitura da profecia de Ezequiel – Assim fala o Senhor: 8“Quanto a ti, Filho do homem, escuta o que eu te digo: não sejas rebelde como esse bando de rebeldes. Abre a boca e come o que eu te vou dar”. 9Eu olhei e vi uma mão estendida para mim e, na mão, um livro enrolado. Desenrolou-o diante de mim; estava escrito na frente e no verso e nele havia cantos fúnebres, lamentações e ais. 3,1Ele me disse: “Filho do homem, come o que tens diante de ti! Come este rolo e vai falar aos filhos de Israel”. 2Eu abri a boca, e ele fez-me comer o rolo. 3Depois, disse-me: “Filho do homem, alimenta teu ventre e sacia as entranhas com este rolo que eu te dou”. Eu o comi, e era doce como mel em minha boca. 4Ele disse-me então: “Filho do homem, vai! Dirige-te à casa de Israel e fala-lhes com as minhas palavras”. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 118(119)
Como é doce ao paladar vossa Palavra, ó Senhor!
1. Seguindo vossa lei, me rejubilo / muito mais do que em todas as riquezas. – R.
2. Minha alegria é a vossa Aliança, / meus conselheiros são os vossos mandamentos. – R.
3. A lei de vossa boca, para mim, / vale mais do que milhões em ouro e prata. – R.
4. Como é doce ao paladar vossa Palavra, / muito mais doce do que o mel na minha boca! – R.
5. Vossa Palavra é minha herança para sempre, / porque ela é que me alegra o coração! – R.
6. Abro a boca e aspiro largamente, / pois estou ávido de vossos mandamentos. – R.
Evangelho: Mateus 18,1-5.10.12-14
Aleluia, aleluia, aleluia.
Tomai meu jugo sobre vós e aprendei de mim, / que sou de coração humilde e manso! (Mt 11,29) – R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, 1os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” 2Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. 4Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus. 5E quem recebe em meu nome uma criança como esta é a mim que recebe. 10Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus. 12Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas e uma delas se perde, não deixa ele as noventa e nove nas montanhas para procurar aquela que se perdeu? 13Em verdade vos digo, se ele a encontrar, ficará mais feliz com ela do que com as noventa e nove que não se perderam. 14Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos”. – Palavra da salvação.
As palavras dos Papas
«Guardai-vos de menosprezar um só destes pequeninos, porque Eu vos digo que os seus anjos no céu contemplam sem cessar a face do meu Pai que está nos céus» (Mt 18, 10). Assim, as crianças são em si uma riqueza para a humanidade e também para a Igreja, porque nos chamam constantemente à condição necessária para entrar no Reino de Deus: a de não nos considerarmos auto-suficientes, mas necessitados de ajuda, de amor, de perdão. E todos nós precisamos de ajuda, de amor, de perdão! As crianças recordam-nos mais uma bonita realidade; recordam-nos que somos sempre filhos: até quando nos tornamos adultos, ou mesmo quando somos pais ou desempenhamos funções de responsabilidade, por detrás de tudo isto permanece a identidade de filhos. Todos nós somos filhos. E isto recorda-nos sempre que a vida não no-la damos sozinhos, mas recebemo-la. O grande dom da vida é o primeiro presente que recebemos. Às vezes corremos o risco de viver esquecidos disto, como se nós fôssemos os senhores da nossa existência mas, ao contrário, somos radicalmente dependentes. Na realidade, é motivo de profunda alegria sentir que em todas as fases da vida, em cada situação e condição social, somos e permanecemos filhos. Esta é a mensagem principal que as crianças nos transmitem com a sua própria presença: só com a sua presença já nos recordam que cada um e todos somos filhos. (Papa Francisco, Audiência Geral de 18 de março de 2015)
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Meditação
Santa Clara e o fascínio pelo despojamento
Celebramos hoje, com muita alegria, a memória de Santa Clara de Assis, virgem. De início, já podemos nos perguntar: o que levou essa jovem a abandonar tudo para seguir ao Cristo pobre, inspirada pelo exemplo do “Poverello” de Assis, São Francisco? Para compreendermos a entrega da vida religiosa, é preciso entender que ela nasce, antes de tudo, de uma profunda experiência do amor de Cristo, como aconteceu com São Francisco.
Arrebatado pelo amor de Jesus, esse santo homem desejou correspondê-lo com toda a sua vida. Assim, numa sociedade em que a nobreza ainda exercia fascínio e a burguesia começava a depositar no dinheiro a esperança da felicidade, Francisco contemplou um mistério muito maior: o Deus de infinita majestade que se humilha e se faz pequeno por amor aos homens. À majestade divina, corresponde a simplicidade do Menino na manjedoura; à riqueza infinita de Deus, a pobreza dos trapos do presépio.
Esse amor, porém, não permaneceu restrito a ele. Seu testemunho contagiou muitos jovens de sua época, entre eles Santa Clara, que deixou tudo para responder ao chamado do Esposo, Jesus Cristo. Juntamente com suas irmãs, ela abraçou a vida de clausura, dedicando-se inteiramente à oração, à penitência e à oblação de amor.
Aos olhos do mundo, o enclausuramento das clarissas pode parecer triste: uma vida escondida, marcada pela penitência e pelo hábito simples e rude de burel. Entretanto, essa impressão nasce de quem ainda não conheceu a perfeita alegria, a qual consiste em reconhecer, pela fé, que somos infinitamente amados por um Deus que, por nós, fez-se pobre, humilhou-se e esvaziou-se a si mesmo. Diante de um amor tão grande, como não desejar amá-lo de volta? A alegria das clarissas, pois, está justamente em poder corresponder, ainda que de forma limitada, ao amor do Esposo.
Sem enxergar essa chama de amor que arde no coração de cada uma delas, dificilmente compreenderemos a escolha que fizeram. Sua vida não é movida pela tristeza da renúncia, mas pela alegria de terem sido escolhidas para responder ao Amor com amor.
Por isso, neste dia de Santa Clara de Assis, somos convidados a fazer festa — porque ela e suas filhas, ao longo dos séculos, continuam respondendo ao amor de Cristo. São Francisco, que tantas vezes chorava diante de Frei Leão, repetindo: “O Amor não é amado, o Amor não é amado”, certamente encontrou consolo ao saber que aquelas mulheres, escondidas na clausura, dedicavam toda a sua existência a amar de volta Aquele que primeiro nos amou sem reservas. Santa Clara de Assis, rogai por nós!
Padre Paulo Ricardo
