DIA 23 TERÇA FEIRA
12ª SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde – ofício do dia)
RITOS INICIAIS
Antífona: O Senhor é a força do seu povo, é a fortaleza de salvação do seu Ungido. Salvai vosso povo, Senhor, abençoai vossa herança e governai-a pelos séculos (Sl 27,8s).
A Palavra de Deus é a verdadeira pérola que procura encontrar um lugar especial no nosso coração. Aqueles que a acolhem se dispõem a viver a gratuidade do amor e a trilhar o caminho que conduz à vida plena. Confiantes no Senhor, cuja fidelidade é eterna, celebremos com alegria!
Primeira Leitura: 2 Reis 19,9-11.14-21.31-36
Leitura do segundo livro dos Reis – Naqueles dias, 9Senaquerib, rei da Assíria, enviou de novo mensageiros a Ezequias para dizer-lhe: 10“Não te seduza o teu Deus, em quem confias, pensando: ‘Jerusalém não será entregue nas mãos do rei dos assírios’. 11Porque tu mesmo tens ouvido o que os reis da Assíria fizeram a todas as nações e como as devastaram. Só tu te vais salvar?” 14Ezequias tomou a carta da mão dos mensageiros e leu-a. Depois subiu ao templo do Senhor, estendeu a carta diante do Senhor 15e, na presença do Senhor, fez a seguinte oração: “Senhor, Deus de Israel, que estás sentado sobre os querubins! Tu és o único Deus de todos os reinos da terra. Tu fizeste o céu e a terra. 16Inclina o teu ouvido, Senhor, e ouve. Abre, Senhor, os teus olhos e vê. Ouve todas as palavras de Senaquerib, que mandou emissários para insultar o Deus vivo. 17É verdade, Senhor, que os reis da Assíria devastaram as nações e seus territórios; 18lançaram os seus deuses ao fogo, porque não eram deuses, mas obras das mãos dos homens, de madeira e pedra; por isso os puderam destruir. 19Mas agora, Senhor, nosso Deus, livra-nos de suas mãos, para que todos os reinos da terra saibam que só tu, Senhor, és Deus”. 20Então Isaías, filho de Amós, mandou dizer a Ezequias: “Assim fala o Senhor, Deus de Israel: Ouvi a prece que me dirigiste a respeito de Senaquerib, rei da Assíria. 21Eis o que o Senhor disse dele: ‘A virgem filha de Sion despreza-te e zomba de ti. A filha de Jerusalém meneia a cabeça nas tuas costas. 31Pois um resto sairá de Jerusalém, e sobreviventes, do monte Sião. Eis o que fará o zelo do Senhor todo-poderoso’. 32Por isso, assim diz o Senhor acerca do rei da Assíria: ‘Ele não entrará nesta cidade, nem lançará nenhuma flecha contra ela, nem a assaltará com escudo, nem a cercará com trincheira alguma. 33Pelo caminho por onde veio há de voltar e não entrará nesta cidade, diz o Senhor. 34Protegerei esta cidade e a salvarei em atenção a mim mesmo e ao meu servo Davi’”. 35Naquela mesma noite, saiu o anjo do Senhor e exterminou no acampamento assírio cento e oitenta e cinco mil homens. 36Senaquerib, rei da Assíria, levantou acampamento e partiu. Voltou para Nínive e aí permaneceu. – Palavra do Senhor.
Salmo Responsorial: 47(48)
O Senhor estabelece sua cidade para sempre.
1. Grande é o Senhor e muito digno de louvores / na cidade onde ele mora; / seu monte santo, esta colina encantadora / é a alegria do universo. – R.
2. Monte Sião, no extremo norte situado, / és a mansão do grande Rei! / Deus revelou-se, em suas fortes cidadelas, / um refúgio poderoso. – R.
3. Recordamos, Senhor Deus, vossa bondade / em meio ao vosso templo; / com vosso nome vai também vosso louvor / aos confins de toda a terra. – R.
Evangelho: Mateus 7,6.12-14
Aleluia, aleluia, aleluia.
Eu sou a luz do mundo; / aquele que me segue / não caminha entre as trevas, / mas terá a luz da vida (Jo 8,12). – R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 6“Não deis aos cães as coisas santas nem atireis vossas pérolas aos porcos, para que eles não as pisem com os pés e, voltando-se contra vós, vos despedacem. 12Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a Lei e os Profetas. 13Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso é o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ele! 14Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida! E são poucos os que o encontram!” – Palavra da salvação.
As palavras dos Papas
À primeira vista, esta imagem suscita em nós algumas questões: se Deus é o Pai do amor e da misericórdia, que permanece sempre de braços abertos para nos acolher, por que razão Jesus diz que a porta da salvação é estreita? O Senhor não quer, certamente, desanimar-nos. As suas palavras servem, antes de mais nada, para abalar a presunção daqueles que pensam que já estão salvos, daqueles que praticam a religião e, por isso, se sentem tranquilos. Na realidade, eles não compreenderam que não basta realizar atos religiosos se estes não transformam o coração: o Senhor não quer um culto separado da vida e não lhe são agradáveis sacrifícios e orações que não nos levam a viver o amor aos irmãos e a praticar a justiça. (…) A nossa fé é autêntica quando envolve toda a nossa vida, quando se torna um critério para as nossas escolhas, quando nos torna mulheres e homens que se comprometem com o bem e apostam no amor, tal como fez Jesus; Ele não escolheu o caminho fácil do sucesso ou do poder, mas, para nos salvar, amou-nos até atravessar a “porta estreita” da Cruz. Ele é a medida da nossa fé, Ele é a porta que devemos atravessar para sermos salvos (cf. Jo 10, 9), vivendo o seu amor e tornando-nos, com a própria vida, agentes de justiça e paz. (Papa Leão XIV, Angelus de 24 de agosto de 2025)
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Meditação
O caminho de Jesus sempre é estreito
No Evangelho de hoje, Jesus nos fala da porta estreita que nos leva à vida. Trata-se de uma passagem do Sermão da Montanha que, curiosamente, não é muito popular em nossos dias. Vivemos, ao contrário, numa época marcada por uma largueza desproporcional em relação à salvação e por um otimismo que não encontramos nos Evangelhos.
Jesus diz: “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso é o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ele. Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida, e são poucos os que o encontram”. Prestemos atenção no verbo “encontram” — em grego, heurískō. De fato, é difícil encontrar o caminho e passar por ele, porque o caminho é o próprio Jesus. E essa verdade desfere um golpe mortal no relativismo religioso, tão difundido em nossos tempos.
Ora, não existem vários caminhos para o Céu, mas apenas um: Jesus. Ele é o caminho da salvação porque somente Ele, e ninguém mais, é Deus feito homem. Cristo é a ponte entre Deus e a humanidade; por isso, rejeitá-lo e não percorrer o caminho estreito é o mesmo que rejeitar a própria salvação e afastar-se da finalidade para a qual fomos criados.
Entretanto, vivemos num tempo em que muitas pessoas acreditam que a religião gera guerras e divisões e, por esse motivo, dizem que não devemos ter convicções religiosas muito firmes. Segundo essa mentalidade, o ideal seria o relativismo religioso, em que o importante é crer em alguma coisa.
Mas o que isso significa? Significa um caminho largo e espaçoso, no qual qualquer crença serviria. Sob essa perspectiva, seriam salvos os cristãos e os satanistas, os muçulmanos e os espíritas, os xintoístas e os animistas e absolutamente todos os demais, simplesmente porque acreditam em alguma coisa.
No entanto, não é isso que encontramos nem nos Evangelhos, nem na doutrina e na vida da Igreja ao longo de dois mil anos. Se fosse tão fácil assim alcançar a salvação, por que Deus veio ao mundo e morreu na Cruz por nós? Se a salvação fosse uma banalidade, que necessidade haveria de um caminho tão doloroso?
Logo, se o Senhor quis realizar a nossa Redenção por meio desse sacrifício tão grandioso, é porque era necessário que acolhêssemos seu Filho, Jesus Cristo. Caso contrário, Deus poderia simplesmente ter permanecido no Céu e dito: “Creiam em qualquer coisa e serão salvos”.
E mais: não foi isso que a Igreja viveu ao longo de sua história. Durante séculos, os mártires derramaram seu sangue porque sabiam que, ao abandonar o caminho estreito, que é Jesus, e voltar-se para outros deuses, colocariam em risco a própria salvação. Da mesma forma, os missionários atravessaram oceanos para anunciar o Evangelho aos povos que já possuíam suas crenças. Se bastasse acreditar em qualquer coisa, para que tanto esforço? Para que o martírio? Para que as missões? Bastaria permanecer em casa, sem preocupação alguma.
A ideia de que o importante é crer em alguma coisa contradiz o cristianismo em sua essência, em sua história e em sua doutrina. O próprio Jesus lamenta que sejam poucos os que encontram o caminho. Por essa razão, nós, chamados a ser pescadores de homens, devemos conduzir as pessoas ao único e verdadeiro caminho: Jesus Cristo.
Assim, ao anunciarmos Aquele que é Deus, Senhor e Salvador, estaremos ajudando muitos a encontrar o caminho da salvação e da paz. Peçamos, pois, a graça de permanecermos sempre unidos a Cristo, para que, seguindo-o fielmente nesta vida, possamos alcançar um dia a alegria eterna do Céu.
Padre Paulo Ricardo
